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Comportamento

Saiba lidar com as mentiras das crianças

Suzana Lakatos Atualizado em 15.12.2011
Cláudia Bebê
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Getty Images

Conheça a verdade sobre as mentiras que crianças e adolescentes contam. Em cada idade, você deve agir de uma maneira para corrigir esse comportamento

Bebê de 12 a 18 meses que tagarela!

 

Quem já viveu o constrangimento de ver o filho fazer caretas de desagrado diante de um presente sem graça pode imaginar o que seria a vida em sociedade se todos fossem sinceros o tempo inteiro... Um inferno! Nessas horas, o bom senso manda chamar a atenção da criança e mostrar que, às vezes, a verdade causa mágoas desnecessárias. “Não se trata de fazer apologia da dissimulação, mas a mentira social é importante nas relações e ajuda a proteger nossa auto-imagem e a das demais pessoas”, explica a psicóloga Mônica Portella, professora da PUC-RJ e autora do livro Como identificar a mentira (ED. QUALITYMARK). Mas, se em situações específicas essa virtude torta representa um progresso no desenvolvimento da sociabilidade, o uso dela fora desses contextos está longe de trazer benefícios. Ele mina a confiança nos relacionamentos, pode acarretar prejuízos para outras pessoas e alimentar o sentimento de impunidade diante de comportamentos irresponsáveis e pouco éticos. O desafio dos pais é reconhecer essas situações e calibrar as reações, evitando que os filhos caiam tanto no extremo da inconveniência quanto no da “pinoquice”.

 

Uma verdade só dela

 

Nos primeiros anos, as mentiras são uma mistura de fantasia e descoberta da independência de pensamento. “A criança gosta de se sentir dona de uma verdade que é só dela. O domínio da linguagem e o pensamento mais articulado permitem inventar histórias mirabolantes, reforçando a percepção de possuir uma consciência autônoma, que ninguém controla. Essas fantasias são um avanço no desenvolvimento mental”, afirma a psicóloga infantil Silvana Rabello, professora da PUC-SP. Outra característica da mentira nessa fase – que dura até 5 ou 6 anos – é a rapidez com que os enredos fantásticos são esquecidos ou substituídos por outros. O objetivo é despertar co moção na platéia ou desviar a atenção de alguma mancada.

 

Nem por isso as mentiras infantis deixam de causar confusões, como descobriu a vendedora paulistana Andréia Azevedo, 32 anos, mãe de Laura, 4. A filha havia chegado da escola com arranhões no rosto dizendo que tinha sido a professora. “Fui lá conversar e, de cara, a professora quis saber o nome do gato que machucara a Laura. Para a avó, ela contou que havia sido a prima... e até hoje ninguém sabe o que aconteceu. Já pensou se chego na escola fazendo acusações?”, diz a mãe.

 

Se o seu filho até 5 anos mente

 

Não adianta discursar sobre as implicações sociais e morais dessa atitude. Se o pequeno mentir para esconder um erro, deixe clara sua desaprovação e dê a ele a oportunidade de se arrepender. Mais que sermões e castigos, é essa reflexão que levará à mudança de comportamento. Caso se trate de alguma história fantástica, ouça e não se preocupe – nem ele a leva a sério. Agora, se for uma fantasia de perigo ou de perseguição em que a criança insista, fique atenta. “Fixações desse tipo costumam revelar angústias que ela não consegue traduzir em palavras”, avisa Silvana.

 

O fim da inocência

 

A partir dos 6 anos, meninos e meninas começam a construir noções de certo e errado e passam a usar a mentira com premeditação. “Enquanto os pequenos men tem para ocultar um erro involuntário e que já acon teceu, os maiores maquinam para atingir um objetivo”, garante Silvana. Um exemplo é dizer que não tem lição de casa para passar a tarde se divertindo com o brinquedo novo. “A mentira agora já não é gratuita e sempre traz uma compensação para quem a conta, ainda que se trate de algo tão intangível quanto despertar a atenção”, diz Mônica. Descobrir essas motivações pode dar pistas importantes sobre o momento de vida do filho. A história de Tales, hoje com 7 anos, ilustra bem essa situação. Seu pai, o desenhista-projetista Zulênio Antônio de Souza, 40 anos, de São Paulo, havia batido o carro de leve. “Só tinha quebrado o farol”, lembra. Quando o garoto contou o episódio na escola, ninguém deu bola e ele resolveu incrementar o enredo: falou que o carro ficara destruído, inclusive por causa dos tiros da polícia. “Todo mundo aí se alvoroçou e a história correu. Fizemos o Tales desmentir tudo”, conta Zulênio.

 

Compreender a origem da mentira não significa fazer vista grossa para o filho não se sentir culpado. Se não for pressionado a enxergar o erro e se arrepender, ele pode ficar com a falsa sensação de que a dissimulação é um recurso válido para obter algo. “Com o tempo, essa ausência de implicações leva a uma convicção de impunidade e mina o senso ético”, alerta Silvana.

 

Se o seu filho de 6 a 10 anos mente

 

Explique em poucas palavras por que foi errado mentir e faça-o participar de alguma reparação, ainda que simbólica, do prejuízo causado. Se a mentira serviu para ocultar uma nota baixa, em vez de bronca, invista no relacionamento perguntando como pode ajudá-lo a melhorar o desempenho.

 

Atenção, perigo

 

É na adolescência que os efeitos negativos da mentira podem trazer os piores resultados. “O jovem mente com a desenvoltura do adulto e articula as histórias com antecedência, principalmente para fugir de responsabilidades ou contornar regras e proibições. Um caso típico é dizer que vai a determinado lugar e ir para outro, no qual pode até mesmo estar em risco”, avisa Mônica. Mentir para acobertar erros dos amigos também é uma situação freqüente nessa fase, e os pais precisam mostrar que, com isso, ele pode se tornar cúmplice de uma situação prejudicial a alguém.

 

“Há vezes ainda em que o filho mente para preservar as relações familiares”, constata o psicólogo Nelson Pedro-Silva, professor do Instituto de Psicologia da Unesp e autor do livro Ética, indisciplina e violência nas escolas (VOZES). É o que acontece em famílias muito rígidas, nas quais a mínima falha é motivo de críticas. Para driblar o controle doméstico e, ao mesmo tempo, não viver em clima de tensão, o jovem oculta suas necessidades e interesses reais. Se a família ainda acha que ele é muito criança para namorar, por exemplo, é provável que ele esconda o relacionamento e disfarce os encontros dizendo que vai sair com os amigos ou ficar na escola para fazer um trabalho.

 

Se o seu adolescente mente

 

Avalie bem a situação. Reflita se não foi um recurso diante de uma postura inflexível em casa. Se a mentira não envolvia conseqüências mais sérias, toque indiretamente no assunto. Caso perceba situações de risco ou prejudiciais a outras pessoas, abra o jogo e mostre que mentira grave não é a que mais se afasta da verdade, mas a que traz mais conseqüências negativas.

 

Pecados capitais

 

Jamais peça ao filho que seja cúmplice de uma mentira, mesmo a mais banal, do tipo dizer que você não está quando simplesmente não quer atender o telefone.

 

Diante de um assunto que considere embaraçoso ou para o qual não sabe a resposta, não invente histórias – é melhor tergiversar, omitir detalhes ou pesquisar juntos.

 

Não valorize a “esperteza” da criança que foge de alguma responsabilidade com uma mentira particularmente brilhante.

 

A menos que tenha alguma suspeita de problemas sérios, não vasculhe as coisas do adolescente para não minar o clima de confiança.

 

Está na cara que é mentira

 

A maioria das mães sabe quando o filho está mentindo. E não é só intuição. “Inconscientemente, quem mente emite sinais não-verbais da mentira, os quais são captados pelo interlocutor”, diz a psicóloga Mônica Portella, que ensina a identificar as escorregadas mais comuns.

 

O choro de manha não tem lágrimas e acaba de repente, assim que o bebê consegue aquilo que quer. O choro verdadeiro só se acalma aos poucos.

 

Ao mentir, a criança pequena leva a mão à boca, como se quisesse esconder as palavras. Em adolescentes e adultos, esse reflexo pode aparecer como uma coçadinha na região dos lábios.

 

Pausas longas e frequentes e o recurso de repetir a pergunta antes de responder indicam que a pessoa precisa pensar e elaborar melhor o que vai dizer.

 

Sorrisos que somem com rapidez, em que os olhos não se contraem ou que deixam os lábios em posição assimétrica são suspeitos.

 

Quem mente gesticula pouco ou faz gestos que não combinam com as palavras – por exemplo, a criança diz que já fez a lição apontando para a frente e não para trás, como seria natural para falar de uma ação passada.


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