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Alimentação

Alimentação saudável, nutritiva e sem dramas

Manuela Macagnan Atualizado em 12.12.2011
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Divulgação

Entrevista com a culinarista Pat Feldman ensina mães e futuras mamães a alimentar seus bebês e como fazer as primeiras papinhas

Como montar um prato saudável e, principalmente, apetitoso para o pequeno. Esse é o objetivo do projeto Tardes Mamãe-Bebê, da empresa A Nossa Cozinha. Além da mamãe, claro, os bebês e também as babás podem frequentar as aulas, ministradas pela culinarista Pat Feldman. Engenheira de formação, Pat é uma amante da gastronomia. Mãe de Arthur, 5 anos, ela aprendeu na prática a preparar comidinhas atraentes para os bebês e as crianças. Pat Feldman conversou com o site do Bebê sobre o projeto e deu várias dicas de como as mamães de primeira viagem – e também avessas a cozinha – podem fazer pratos deliciosos e nutritivos para os filhos.

 

1. Qual a melhor fase ou idade para passar da papinha para alimentos não pastosos?

Não existe idade certa. O ideal é quando começam a nascer os dentes. Claro que é necessário ter bom senso, fazer uma transição bem lenta. É importante pensar que o seu filho está acostumado com o leite materno, que é líquido e de fácil digestão. Quando passa para a papinha, tem muitas novidades. Mudam a temperatura e a consistência, e isso pode causar algum desconforto.

 

2. Como você costuma preparar as papinhas?

As primeiras papinhas devem ter algum legume, que pode ser cenoura, beterraba, abobrinha, abóbora, um pouco de gordura, como manteiga ou azeite extravirgem (desde que você não aqueça o azeite), e também alguma carne, como frango caipira, carne de boi e órgãos como coração, rim e fígado. Elas são muito nutritivas, apesar de não fazerem parte da nossa cultura alimentar. O peixe, vale lembrar, os pediatras recomendam só depois de 1 ano. Antes disso, a papinha também não deve conter grãos, como arroz e feijão.

 

3. Como saber qual é a temperatura ideal dos alimentos?

O ideal é a papinha morna, mas recomendo oferecê-la em qualquer temperatura, inclusive gelada, porque é bom a criança se acostumar com o quente e com o frio. É importante ter contato com essas diferenças.

 

4. E se o bebê não aceita a papinha de jeito nenhum?

A primeira coisa é evitar forçar. Assim, a criança não associa a hora de comer a algo ruim. Às vezes, ela pode estar sem apetite. Uma criança bem nutrida não vai ficar doente se pular uma refeição. Também pode ser que a criança não tenha gostado da comida, aí você pode mudar alguma coisa. Nessas horas, vale colocar uma pitada de erva aromática ou misturar algum tipo de fruta, como a maçã. Os bebês costumam aceitar bem as frutas porque são docinhas.

 

5. Você costuma falar da importância de testar um alimento de cada vez por quatro dias. Como funciona essa regra?

Quando você começa a dar alimentos, não sabe se a criança é alérgica ou se tem algum tipo de intolerância a determinado ingrediente. Toda vez que você dar a papinha, ofereça o mesmo ingrediente por quatro dias e observe se o pequeno não ficou empipocado ou se não teve diarreia. Se tudo ficar bem, comece a inserir novos sabores. Se na primeira refeição, você já colocar beterraba, cenoura, abobrinha e cheiro verde e seu filho tiver alguma reação, como saber o que causou?

 

6. O material das panelas influencia a qualidade da comida do bebê?

Vários materiais reconhecidamente soltam resíduos, como panelas de alumínio e teflon. O ideal é você usar o material mais inócuo possível, que é o vidro. No entanto, não é tão fácil achar e é quebrável. A panela de ferro é muito boa, mas é necessário ter uma série de cuidados com a limpeza. Além disso, não é muito prática porque é pesada. Uma opção um pouco mais barata é o inox, desde que você não utilize alimentos ácidos.

 

7. Todos os bebês são diferentes e têm gostos variados, mas, normalmente, qual é o ingrediente de maior aceitação?

As frutas são muito fáceis porque são doces. Acho que nós somos geneticamente programados para gostar desse sabor e doce de bebê é fruta. Até sugiro, quando começar a alimentação da criança, iniciar pelos legumes e não pelas frutas. Comece com cenoura ou beterraba, que também são adocicadas e mais fáceis de serem aceitas.

 

8. Para ter uma alimentação saudável, é importante que a criança participe do preparo dos alimentos?

Eu acredito nisso. A criança não vai colocar a mão na massa, mas pode segurar uma cenoura na mão. O importante é fazer parte desse momento e sentir o aroma da comida pela casa.

 

9. Como fazer a criança gostar de legumes, verduras e frutas?

Ela tem de ser acostumada com esses paladares desde nova. O que eu vejo acontecer é a mãe demorar para oferecer salada e verduras para seus filhos, mas logo cedo dá chocolate, bolacha. Depois de sentir o gosto do biscoito, é bem mais difícil fazer a criança gostar do amargo do espinafre, por exemplo. É importante segurar ao máximo essas gostosuras.

 

10. O que fazer quando a criança pede o que a mãe está comendo?

Se você não quer que o seu filho coma, não coma na frente dele ou, de preferência, nem coma. Outra coisa importante: a criança olhar não significa que ela quer um pedaço. Pode ser que ela só queira participar do ritual da refeição. Já aconteceu de eu estar comendo uma sobremesa e meu filho ficar olhando. Em vez de oferecer uma colherada, dei uma banana e ele ficou bem feliz.

 

11. As crianças observam desde cedo as reações da mãe. É normal que elas não aceitem determinado ingrediente pelo jeito que lhe foi apresentado?

A criança está formando o paladar. Mais do que gostar ou não de alguma coisa, ela presta muito atenção na reação da mãe. Se você oferecer peixe ao seu filho e falar que é saboroso e comer junto, curtir aquele momento, tem mais chances de ele reagir de maneira positiva. Se você der já achando que ele vai detestar, a chance de ele não gostar é enorme. Não dá para você querer que o seu filho adore salada se você só come porcaria.

 

12. Quando a criança começa a ir à escola ou mesmo a festas infantis, fica mais difícil controlar o que ela come. O que fazer?

Meu filho está com 5 anos e na escola descobriu que existem biscoitos e chocolate. Eu não tenho a ilusão de que ele nunca vai comer essas guloseimas. É gostoso. Uma coisa é ele estar entre os amiguinhos e comer um pouco e outra é ter aquilo em casa e devorar o pacote inteiro sozinho. Não ter isso no armário, e não ficar oferecendo, é importante. Nas festas infantis, meu filho brinca o tempo todo. Fazer aquele menino parar e beber um copo de água é uma dificuldade! Ele nem sabe que tem comida na festa.

 

13. É errado esconder e disfarçar os alimentos no prato?

Há casos extremos em que a gente precisa esconder. Acho que o melhor é a criança participar do preparo dos alimentos e entender que aquilo faz bem para ela. Dê opções. Por exemplo, você pode dizer: "Tem essa, essa, essa e essa receita. Se você não gostar de nenhuma, não precisa comer". Assim, aos poucos, ela vai identificando os ingredientes que a agradam ou não.

 

14. Qual a importância dos ambientes harmoniosos na alimentação da criança?

Todo mundo gosta de sossego para comer. Para a criança, também é bem importante ter uma mesa bem-posta e não se alimentar na frente da TV, um ambiente calmo, iluminação adequada, um bate-papo gostoso e energia boa.

 

15. E se a criança não gosta de peixe, não come salada. Existe conserto?

Sim, sempre há salvação. Vai dar bastante trabalho, mas é viável. Você precisa apenas ter calma, paciência e usar algumas artimanhas, mas pode dar certo e vale a pena.


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