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Saúde

Quando o bebê não quer nascer

Patrícia Affonso Atualizado em 21.12.2011
Cláudia Bebê
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Getty Images

Chega a data prevista para o nascimento do seu filho e... nada! A cada dia que passa, a angústia aumenta. Fique calma. Há recursos para saber com segurança se é melhor antecipar o parto ou aguardar até o bebê dar sinais de querer nascer

“Correu tudo bem na minha gravidez, e estava resolvida a fazer parto normal. Mas, ao final da 40ª semana, não havia sinal de que logo daria à luz. A dilatação era zero e nunca tive uma contração. Foi quando o médico avisou que teríamos que fazer cesariana, mesmo porque meu filho estava mal posicionado e induzir o parto normal seria um risco. Abri mão do meu desejo, mas meu bebê nasceu em segurança”, diz a bancária Deise Giovanni, 27 anos, mãe de Pedro, 11 meses, de São Paulo. Ver a gravidez passar da hora não é tão raro assim. Pelos cálculos da Área Técnica de Saúde da Mulher da Prefeitura de São Paulo, 4% das gestantes fazem parte desse grupo de mães cujos bebês parecem decididos a prolongar a estada no útero. O problema é que aqui, do outro lado, a entrada na 40ª semana de gestação marca o início de um impasse: é melhor esperar mais um pouquinho pela ação da natureza ou acelerar as coisas para trazer a criança ao mundo logo?

 

Escolha delicada

 

A resposta depende, em parte, do tamanho desse atraso. Na classificação do Ministério da Saúde, até 42 semanas, trata-se apenas de uma gestação prolongada, em princípio sem maiores riscos. A partir daí, passa a ser uma gravidez pós-termo e deve ser interrompida. Os médicos ainda não descobriram a causa desses atrasos. “O que podemos afirmar, com base em um trabalho de pesquisadores noruegueses, é que mulheres com uma primeira gravidez prolongada apresentam 27% mais probabilidade de que o problema se repita em uma segunda gestação”, diz o obstetra Jurandir Piassi Passos, da Universidade Federal de São Paulo.

 

Apesar do limite teórico das 42 semanas, muitos especialistas já começam a intensificar os cuidados por volta da 40ª semana e preferem realizar o parto no máximo com 41 semanas e três dias. Mas não é uma opção tão simples quanto parece. Por um lado, os alarmes falsos são frequentes e o suposto atraso na verdade é um erro de cálculo da mãe, que confundiu a data da última menstruação ou tem ciclo menstrual irregular. Por outro lado, o fato é que, com o passar do tempo, a vida fora do útero é mais saudável para o bebê do que dentro da barriga da mãe. Eis o pontochave da questão: a qualidade do ambiente fetal é que determina a hora de agir.

 

os sinais de perigo A placenta é a primeira a ser avaliada. Afinal, depende dela a transferência de sangue, oxigênio e nutrientes para o bebê. “Conforme a gestação avança, ela envelhece e sofre calcificações, o que torna essas trocas menos eficientes. É como um filtro que vai ficando sujo e deixa de cumprir seu papel”, explica o obstetra Luiz Fernando Leite, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Quando não recebe a quantidade adequada de nutrientes, o feto vai buscar suprimentos nas próprias reservas de gordura. E, aí, começa a perder peso, o que põe em risco seu desenvolvimento. “Além disso, a falta de oxigenação prolongada pode levar à morte ou causar sequelas graves, como paralisia cerebral”, destaca Leite.

 

A diminuição do líquido amniótico, que protege a criança de choques e mantém a temperatura estável, é outro motivo de alerta. Nessa fase, ela pode ser mais um indício de que a oxigenação está ruim. É que, ao receber menos oxigênio do que necessita, o organismo dele diminui a atividade e privilegia o funcionamento de órgãos essenciais à sobrevivência imediata, como pulmão e coração. Os rins, que filtram a urina, um dos principais componentes do líquido amniótico, ficam quase paralisados, fazendo o líquido baixar.

 

Exames que tranquilizam

 

A boa notícia é que os médicos contam hoje com vários recursos para saber direitinho como está a vida do seu filhote no útero. Os mais utilizados são:

 

Ultrassonografia revela se a placenta está envelhecida ou se houve diminuição do líquido aminiótico;

Ultrassonografia com dopplerfluxometria mostra se o bebê está recebendo sangue suficiente;

Cardiotocografia mede a frequência cardíaca do feto e as contrações uterinas;

Perfil biofísico avalia a vitalidade do bebê, analisando por ultrassom a respiração, movimentos, tônus dos membros etc.

 

“Se toda essa avaliação indicar que mãe e filho estão em perfeitas condições, o retorno ao consultório passa a acontecer a cada três dias. Caso se identifique algum risco, a visita se torna diária ou, se o médico achar necessário, a futura mãe fica internada para um acompanhamento mais próximo”, explica Passos. Com esses cuidados, é raro a gravidez prolongada gerar complicações. É só ter paciência de comparecer às consultas, curtir um pouco mais o barrigão e ficar ligada na movimentação do filho. A essa altura, você já deverá estar de licença-maternidade. Então, após as refeições principais (café da manhã, almoço e jantar), deite-se sobre o lado esquerdo durante uma hora e conte quantas vezes seu filho se mexe. Se ele fizer seis ou mais movimentos, é sinal de que está ótimo e feliz. Menos do que isso, ligue para o médico ou vá até a maternidade para uma avaliação mais apurada.

 

Interrupção à vista

 

Agora, se os exames revelarem algum problema, o médico pode achar mais seguro interromper a gestação. O que, aliás, não é necessariamente sinônimo de decretar uma cesárea. Em muitos casos, o par to induzido é o melhor caminho. Aconteceu com a publicitária Caroline Corrêa, 28 anos, mãe de David, 1 ano e 4 meses, de São Paulo. Com 41 semanas e meia, a médica lhe disse que, se a ideia era tentar o parto normal, a hora era aquela. Mais alguns dias e o bebê poderia ter a reserva de oxigênio diminuída – a cesárea, então, seria a única saída. “Depois de me certificar de que não havia riscos na tentativa, segui em frente. Eu queria de verdade vivenciar a emoção de um parto normal”, conta Caroline. “Para alegria geral, bastou um empurrãozinho, e meu filho nasceu com saúde perfeita.”

 

Induzido x cesárea

 

O “empurrãozinho” para o parto induzido começa com a avaliação do colo do útero. Se ele estiver muito fechado, como era o caso de Caroline, é preciso prepará-lo com o auxílio de medicamentos à base de prostaglandina, que são introduzidos na vagina, como um absorvente interno. “Essa substância vai dar início ao processo de dilatação”, esclarece o obstetra Eduardo Souza, do Hospital São Luiz, em São Paulo. Horas depois, quando o útero já estiver mais maleável, o médico vai induzir as contrações com a ajuda do hormônio ocitocina, administrado com soro na veia. Daí em diante, a bola estará com você. “A indução não muda a dinâmica do parto normal. É só um ponto de partida para desencadear o processo que não se deu naturalmente. A mãe continua consciente e terá que fazer força para o filho nascer”, diz Souza. E se o médico nem cogitar a hipótese de indução e já falar em cesárea? Alto lá: desconfie, investigue, peça uma justificativa. Às vezes, a cirurgia é inevitável e não tem por que correr riscos. Isso acontece, por exemplo, quando há diminuição de oxigênio e o bebê entra em sofrimento, quando ele está mal posicionado ou quando o organismo materno não responde como deveria aos medicamentos de indução. Aí, é cesárea. “Mas ela não é uma opção a ser colocada em primeiro plano. Se houver boas condições, o parto normal pode ser feito e é ainda a melhor escolha”, garante Passos.

 

Parto em números

 

- 1 centímetro de dilatação por hora é a média registrada pelas mães de primeira viagem. A partir do segundo filho, isso salta para 1,5 centímetro por hora.

- 10 centímetros de dilatação é o necessário para que se inicie a saída do bebê.

- O ideal é que o parto ocorra entre a 38ª e a 41ª semana. parto em números

- 40 segundos é a duração das contrações no início do trabalho de parto, e elas se sucedem a intervalos regulares de três minutos.

- 2 horas é o máximo que deve demorar o início das contrações depois que a grávida passa a receber a dosagem máxima de ocitocina.

 


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