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Saúde

Primeiro dentinho

Thaís Szëgo Atualizado em 19.01.2012
Cláudia Bebê
Primeiros dentinhos

Getty Images

Assim que ele desponta, surgem as dúvidas: será que meu bebê vai ter febre? E diarreia? Mordedor ajuda? Especialistas esclarecem essas e outras questões

 

Quando surgem os dentes de leite?

“Eles despontam entre o sexto e o nono mês, mas os pais não precisam se preocupar com antecipações ou demoras”, avisa o dentista Leonardo Ganzarolli, do Instituto Bibancos de Odontologia, em São Paulo. A arcada de leite se desenvolve até os 3 anos. Nessa idade, a criança deverá ter dez dentes superiores e dez inferiores. Alguns bebês, apressadinhos, já nascem com dentes (é o que os especialistas chamam de dentes natais) ou iniciam esse processo ainda no primeiro mês (dentes neonatais). Um odontopediatra deve ser procurado nesses casos e também se, ao completar 1 ano, o pequeno ainda estiver sem nenhum dente. Entre esses extremos, as variações são normais. Não se preocupe.

 

Como percebo que eles estão a caminho?

Cerca de um mês antes, a gengiva incha e avermelha. Prepare-se: a previsão é de choro, irritabilidade, dificuldade para dormir e falta de apetite. Não se esqueça também de reforçar o estoque de babadores. “A salivação aumenta devido ao amadurecimento das glândulas salivares, e a criança não con segue engolir o excesso de líquido”, explica a odontopediatra Vivian Farfel, de São Paulo. Por isso, os bebês babam tanto quando saem os dentes.

 

Por que a chegada dos dentes causa febre e diarreia?

“Uma febrinha leve é normal, já que a erupção dos dentes desencadeia um processo inflamatório”, explica o dentista Marcelo Sarra Falsi, de São Paulo. Quanto à diarreia, o problema é outro. Como os pequenos levam tudo à boca tentando amenizar o incômodo, correm mais risco de entrar em contato com objetos contaminados. É daí que podem vir os distúrbios gástricos que causam diarreias.

 

O que faço para amenizar o incômodo do meu bebê?

Massagens e contato com baixas temperaturas ajudam a descongestionar as gengivas e deixam seu fofo mais confortável. “Envolva o dedo em uma gaze ou fralda embebida em água filtrada ou soro fisiológico e faça uma leve fricção em toda a gengiva”, ensina Vivian. Outra opção é refrigerar os mordedores de gel antes de dá-los a seu filho. “Colocar uma colher na geladeira e aplicá-la na área também funciona”, diz o dentista Flávio Luposeli, de São Paulo.

 

Anestésicos locais aliviam as gengivas?

O efeito é passageiro. Além disso, há riscos de medicar o bebê por conta própria. Em casos de febre acima de 38,5 °C ou de inflamação excessiva, que impeça a criança de dormir e se alimentar, o pediatra ou o odontopediatra devem ser consultados. Eles podem indicar um medicamento para diminuir a dor e a inflamação.

 

Em que momento devo marcar consulta no odontopediatra?

Se o pediatra do bebê acompanha de perto a dentição dele, a visita ao especialista pode ser adiada até 1 ano. Nela, o dentista fará uma avaliação geral e orientará sobre cuidados de higiene, alimentação e hábitos de sucção (chupeta, mamadeira, dedo). Antecipe a agenda, porém, se notar alterações no formato, na cor e no posicionamento dos dentinhos. Fique de olho ainda em traumas (como quedas) e no surgimento de manchas brancas ou escuras, que podem indicar cárie. Foi-se o tempo em que a primeira dentição não tinha importância porque seria substituída. Hoje, sabe-se que ela é fundamental para a deglutição e a digestão dos alimentos, funciona como guia da dentição permanente e influencia o desenvolvimento da fala. Por isso, merece atenção desde cedo, ainda que outros procedimentos preventivos, como a aplicação de flúor, demorem a entrar em cena. “O flúor deve ser encarado como um medicamento, e sua indicação depende do risco de cárie de cada criança”, alerta Vivian.

 

O que fazer se um dente de leite não nasce? Por que isso acontece?

Os motivos variam. O mais comum é a agenesia, quando o dente não se forma. Isso acontece ainda na gestação. Por volta da sexta semana, são formados os dentes de leite; no quinto mês, os permanentes. Na maioria das vezes, a falha é de origem genética e não pode ser evitada. Há casos, porém, em que o dente não aparece porque tem sua saí da obstruída pela gengiva, muito espessa, ou devido a algum distúrbio. “Mas é um problema raro na dentição de leite”, diz Falsi. Exames clínicos e radiografias ajudam no diagnóstico. Mais tarde, ao surgirem os permanentes, o uso de aparelho ou um implante corrigem a falha.

 

O excesso de espaço entre os dentes de leite é motivo para se preocupar?

“Pelo contrário. A presença desses vãos é normal e desejável na arcada de leite, quando o número de dentes é menor do que o que teremos na vida adulta”, explica Vivian. Esses espaços, mais tarde, vão permitir a melhor acomodação dos 12 dentes a mais (e maiores) que irão formar a dentição definitiva. “Em 95% dos casos, o diastema – espaço entre os dentes – na dentição permanente é consequência de maus hábitos, como o uso de chupeta e mamadeira”, completa Falsi.

 

Chupar dedo, chupeta e mamadeira prejudica mesmo a dentição?

Sim. Esses hábitos estão associados a flacidez na musculatura da face e a alterações no alinhamento dos dentes e no posicionamento da língua. Mastigação, fala e respiração são afetadas. Quanto maior o tempo de uso de chupeta e mamadeira, pior. E, após o segundo ano, não há por que mantê-las na rotina do pequeno. “Mas, como a criança estabelece uma relação emocional com esses objetos, é bom prestar atenção se ela está num momento feliz para a retirada”, alerta Luposeli. Escolha uma fase em que seu filho esteja tranquilo e elimine primeiro a chupeta e a mamadeira do dia, depois a noturna, propondo um acordo ou uma troca. Fique preparada, porém, para idas e vindas nesse processo. Quanto a chupar dedo, desestimule desde os primeiros dias – por ter formato anatômico, a chupeta ainda é uma opção menos danosa.

 

A partir de quando devo escovar os dentes do meu filho?

Comece assim que sair o primeiro dentinho. “Prefira uma escova de cabeça pequena e cerdas macias e planas”, ensina Falsi. Realize a limpeza sempre após as refeições e à noite, usando pasta sem flúor e em pequena quantidade (o equivalente a meio grão de lentilha). “Como o bebê não sabe cuspir, ele poderia engolir essa espuma com flúor. Acontece que esse mineral já está presente na água e em alguns alimentos, e seu acúmulo no organismo pode provocar fluorose, que causa defeitos no esmalte dental, como manchas e falhas”, explica Ganzarolli. O uso do fio dental começa quando praticamente todos os dentes já tiverem nascido, e os enxaguantes bucais só entram em cena depois dos 6 anos.

 

É preciso cuidar da higiene bucal antes dos dentes nascerem?

A limpeza diária com gaze ou dedeira embebida em soro fisiológico deve integrar a rotina do pequeno desde sempre. Mesmo que seu filhote só mame no peito, higienize a boquinha dele após cada mamada, inclusive à noite, quando a produção de saliva cai, diminuindo a proteção natural contra germes. Esse hábito ajuda a prevenir um dos piores vilões da dentição de leite: a cárie de mamadeira.

 

O que é a cárie de mamadeira?

É uma infecção grave, que atinge todas as faces do dente e se espalha rapidamente. É causada por bactérias e não dá para descuidar. Para livrar seu bebê dessa ameaça, capriche na higiene; jamais mergulhe a chupeta em açúcar ou mel; não adoce a mamadeira (nem mesmo as de chá); e, assim que possível, desestimule o hábito das mamadas noturnas. Tem mais: não sopre a papinha, não beije seu filho na boca nem coloque a chupeta, o bico da mamadeira ou a colher do bebê na sua boca. Assim, você evita transferir bactérias da cárie para ele.

 

A saúde bucal dos pais interfere na do bebê?

Claro! Além do risco de transmissão direta das bactérias da cárie, tem a questão do exemplo. “A receita do sucesso é fazer a criança perceber que você não apenas a ensina a cuidar dos dentes como também segue essa rotina”, explica Vivian. Escove os dentes na frente do seu filho e, quando ele tentar imitá-la, ajude-o a manusear a escova. Pode até fazer de conta que ele está escovando sozinho e você só vai dar um retoque, mas não dispense esse cuidado – até 6 anos os pequenos não têm destreza para fazer uma boa escovação.

 


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