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Saúde

Piolho: não deixe que ele suba à cabeça

Thais Szegö Atualizado em 24.01.2012
Piolho: não deixe que ele suba à cabeça
Getty Images

Ele infesta cabeleiras desde tempos imemoriais e é citado até na Bíblia. Assim como outros insetos, povoará a Terra para sempre, mas - tomara! - não habitará a sua casa

 

Voraz, para dizer o mínimo, ele pulula a cabeça de uma em cada quatro crianças, fartando-se de sangue. Isso quando não passa para os fios de gente grande. O problema é antigo e sua incidência só faz crescer. “O grande mito a ser derrubado é que o piolho adora um cabelo sujo”, diz o biólogo Carlos Fernando Andrade, do Departamento de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Ao contrário: o danado costuma adorar fios lavados todo santo dia.

 

Ah, piolho tampouco faz distinção de classe social. “Qualquer pessoa está sujeita à infestação”, declara Júlio Vianna Barbosa, biólogo do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. “Prova disso é que países de primeiro mundo, como o Japão, a Alemanha e a França, têm tantos casos quanto o Brasil”, diz ele, que é PhD em parasitologia — e tão expert nessa espécie que adotou o apelido de Doutor Piolho até no e-mail de trabalho!

 

Como o bicho tem fama de brega e sujo, todo mundo se segura para não se coçar — e se entregar — quando ele sobe à cabeça. “Os pais nem sempre avisam a escola e aí a criança transmite o parasita aos colegas”, nota Júlio Barbosa. Essa omissão — diga-se — está por trás do aumento dos casos.

 

Embora a garotada seja o alvo preferido, o piolho não despreza hospedeiros adultos e adolescentes. Só que estes, sobretudo, contam com uma vantagem: “Na puberdade as glândulas sebáceas produzem, além do sebo, um hormônio que é um veneno para o inseto”, conta o tricologista Valcinir Bedin, do Instituto de Pesquisa e Tratamento do Cabelo e da Pele, em São Paulo.

 

Uma pesquisa da Universidade Federal do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, em parceria com a Fiocruz, em Campos, no Rio de Janeiro, revela que 70% das pessoas dessa cidade fluminense já tiveram pediculose, o nome científico da infestação por piolhos. Para dar cabo deles, metade dos entrevistados usou substâncias perigosas, entre elas — pasme! — gasolina, inseticidas comuns e até desinfetantes, como a creolina. “E tem ainda gente que lançou mão de plantas, achando que o que é natural não faz mal. Errado. Muitas são tóxicas”, alerta Júlio Vianna Barbosa.

 

É de arrancar os cabelos!

Os primeiros sintomas da infestação aparecem rápido — no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte ao contágio. Tudo começa com uma forte coceira no couro cabeludo, principalmente na região da nuca e atrás das orelhas. Esfregar as unhas sobre a pele costuma causar irritações e feridas que, para piorar, abrem brechas para infecções bacterianas, como o impetigo. Além disso, pode surgir uma erupção atrás da cabeça acompanhada do aumento dos gânglios linfáticos do pescoço. Esses sinais, porém, só dão as caras cerca de dois meses após a infestação e favorecem anemia e outras doenças que comprometem o rendimento escolar.

 

Dá para prevenir

Como o piolho não escolhe sexo, idade ou classe social nem tem preferência por uma estação do ano, nada de bobear. Você já sabe que o bicho gosta mesmo é de cabelo limpo, o que não deve servir de desculpa para deixar de lavá-lo, claro. Faça isso, sim, até todo dia se for um hábito, mas evite mantê-lo úmido por muito tempo porque é disso que ele gosta. A dica, então, é usar o secador.

 

De uma cabeça para outra

Engana-se quem acha que piolho voa (ele não tem asas!) ou pula (não é pulga!). Perigoso mesmo é o contato físico — um chamego, um abraço mais apertado e, pronto, ele muda de endereço. E o danado tem resistência de faquir. “Ele consegue permanecer vivo por até três dias sem se alimentar”, garante Júlio Vianna Barbosa. E fica à espera da próxima vítima nos lugares mais insuspeitos — por exemplo, no encosto do banco do táxi, comum ou especial. “Um bom pente-fino, de preferência metálico, é o melhor jeito de apanhá-lo”, recomenda Valcinir Bedin. E nunca, mas nunca mesmo, empreste-o a ninguém. Também evite compartilhar travesseiros, bonés e presilhas.

 

Caça às lêndeas

Os ovos do piolho encontram refúgio entre os fios, mas, como são brancos, podem ser flagrados com uma boa inspeção. “E o melhor jeito de retirá-los é com a mão mesmo”, adianta Júlio Vianna Barbosa. Já para sufocar o bicho adulto sem dó nem piedade, você pode tentar uma receita caseira. Quem ensina é o biólogo Carlos Fernando Andrade: “À noite, lave o cabelo e passe condicionador ou óleo de oliva, sem enxaguar. Cubra a cabeça com uma touca e vá para a cama. Na manhã seguinte, passe o pente-fino nos fios e lave-os novamente. O tratamento é tão eficiente que não precisa ser repetido”, garante.

 

Arsenal pronto para comprar

Não é todo mundo — menos ainda criança — que topa dormir com a cabeça besuntada de creme ou de óleo. Se esse for o caso, vale apelar para produtos tópicos. “Aqueles específicos, vendidos em farmácias, podem ser usados sem problemas”, opina Carlos Fernando Andrade. Desde que, é claro, você siga rigorosamente as instruções da embalagem.

 

Recentemente um medicamento de uso oral chegou ao mercado brasileiro, mas ele não é uma unanimidade entre os especialistas. “O produto não é aprovado pelo FDA, o órgão americano que controla remédios e alimentos”, avisa Júlio Vianna Barbosa. No Brasil o remédio até conta com o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas seu uso só está autorizado para o combate a sarna e alguns tipos de verminose.

 

Curiosidades

• Os ovos necessitam de quatro a 14 dias para completar a incubação. Depois de adulto o piolho vive só um mês, alimentando-se de sangue humano

• O piolho de cabeça, chamado Pediculus humanus capiti, mede de 2,5 a 3,0 mm. Munido de três pares de pernas, locomove-se com rapidez, passando de um hospedeiro para outro com muita facilidade

• Ao longo da vida, cada fêmea produz entre 120 e 140 ovos, as populares lêndeas. Elas têm formato alongado, com cerca de 0,8 mm de comprimento e 0,3 mm de largura

• Na saliva do piolho existem substâncias anestésicas e anticoagulantes que, por serem estranhas ao organismo humano, provocam uma reação assim que o inseto pica a pele. É isso o que deflagra a coceira


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