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Família

O impacto da separação em filhos pequenos

Giuliano Agmont Atualizado em 11.01.2012
O impacto da separação em filhos pequenos
Getty Images

Como amenizar traumas e o que fazer, em cada etapa da vida da criança

 

Relação desgastada, falta de desejo, desentendimentos constantes. O fim de um casamento é traumático para qualquer casal. Mas qual é o impacto da separação para os filhos? Especialistas asseguram que até recém-nascidos sentem o clima de desarmonia. E como lidar com essa situação, quando crianças pequenas estão envolvidas?

 

Manter a relação por causa dos filhos está longe de ser a melhor opção. Sem dúvidas, um divórcio amigável é melhor para os pequenos do que um convívio conturbado. Eles sofrem menos. Mas existem algumas orientações básicas, que devem ser seguidas por pais com filhos pequenos, quando estão em vias de se separar.

 

Evitar brigas e discussões na frente dos pequenos e não falar mal do ex-companheiro, principalmente quando ele estiver ausente, são condutas imprescindíveis para amenizar os inevitáveis traumas, marcados por sentimentos confusos e desconhecidos. A dica é evitar a deterioração completa do relacionamento para, só então, decidir pelo divórcio. Insistir em um casamento acabado só prolonga a exposição da criança à convivência estressante entre os pais.

 

Sofrer um trauma não impede a criança de se tornar um adulto saudável e equilibrado. Por isso, o significado dado à separação, muitas vezes, é mais importante do que o ato, em si. Nesse contexto, manter o convívio da criança com parentes de ambos os lados familiares é muito importante. O distanciamento de primos, tios ou avós, que antes eram próximos, vai privar a criança de um carinho indispensável, em caso de separação. Agora, é importante levar em conta a faixa etária do filho. Sua reação à separação varia, conforme a idade. Existe diferença entre compreender o que é separação, notar que os pais não estão mais juntos e intuir que ambos estão sofrendo. Veja como proceder em cada etapa.

 

Até 1 ano

O trauma da separação tende a ser menor para recém-nascidos. Nessa idade, o bebê ainda não estabelece relação de causa e efeito entre divórcio e sofrimento. Mas, ele é capaz de sentir o clima de conflito no ar e a ausência do pai. É que o sofrimento da mãe, já fragilizada e insegura com tudo o que envolve a gestação de um filho, costuma ser muito intenso, com alterações de humor que, em casos extremos, evoluem para depressão. Por razões que vão além da amamentação, é fundamental que a criança fique com a mãe. O vínculo afetivo entre ela e o bebê é muito forte. É impossível separá-los, sem causar danos emocionais permanentes no pequeno, o que não significa que a função do pai possa ser desprezada. Durante os primeiros meses de vida, a figura do homem representa segurança, acolhimento e serenidade para a família, o que contribui especialmente para a estabilidade emocional da mãe e, por consequência, da criança também. A participação paterna é decisiva no desenvolvimento do bebê, até que ele se torne suficientemente independente para romper alguns laços com a mãe, a partir de um ano de idade.

 

Os sintomas de sofrimento de uma criança de até um ano, diante do divórcio dos pais, são inespecíficos e menos elaborados. O que existe são relatos de mudanças no sono e na alimentação, choro acentuado e excesso de irritabilidade. Se a separação for inevitável, é melhor que aconteça da forma mais amena possível. Para isso, os adultos precisam ter muita habilidade na condução do processo. A dependência do bebê é muito grande e, se a mãe sucumbir ao sofrimento da separação, precisará de ajuda profissional, além do apoio de avós, tios, primos e amigos do bebê.

 

De 1 a 3 anos

É a fase mais complicada para lidar com os filhos pequenos, em caso de separação. A criança já fala, mas não manifesta seus sentimentos claramente. O mais importante, aqui, é que a ausência do pai ou da mãe não deve ocorrer por períodos prolongados. Se a criança ficar com a mãe, por exemplo, o que é mais comum e até desejável, embora não seja uma regra, o contato com o pai deve ser mantido e incentivado. Em datas importantes, como aniversário da criança, pai e mãe devem estar juntos.

 

Se o filho solicitar a presença do pai ou da mãe ausente, é recomendável acatar o pedido. Dentro das possibilidades, evidentemente. Da mesma forma, uma visita pode ser interrompida por vontade da criança: impor o convívio pode fazer com que ela se sinta agredida. Os sintomas de sofrimento mais comuns, nessa fase, são alterações do sono e do apetite, problemas de socialização e também dificuldade de aprendizagem. Entre um e três anos, a guarda compartilhada, que prevê a divisão de responsabilidades legais e cuidados entre os pais separados, pode ser uma alternativa saudável, desde que as coisas sejam claras e organizadas. O diálogo civilizado é pré-requisito para garantir o sucesso do acordo. Caso contrário, a alternância de residência pode gerar, na criança, insegurança, dificuldade de entender limites e resistência para cumprir normas e rotinas.

 

De 3 a 5 anos

Os vínculos com o pai tornam-se mais fortes, conforme a criança cresce. A capacidade cognitiva já se desenvolveu, com a possibilidade de acessar memórias, associar sentimentos e pensamentos e ampliar o entendimento sobre o divórcio. Com a separação, o “casal idealizado” deixa de existir para a criança, o que frustra e leva ao trauma. Mas, isso pode ser contornado.

 

É fundamental que o filho entenda que o divórcio não representa uma quebra de vínculo com ele mas, apenas, entre os pais. Uma conversa franca, na presença de pai e mãe, é uma boa atitude. Os motivos da separação devem ser colocados de forma adequada à idade, enfatizando que ele vai continuar convivendo com os dois e que ambos vão amá-lo, incondicionalmente.

 

Nessa etapa, é possível explicar o que é uma guarda compartilhada e oferecer liberdade para que as crianças transitem entre as casas da mãe e do pai. Porém, em condições normais, períodos de mais de uma semana de separação da mãe ainda são desaconselháveis. Somente após os cinco anos, as crianças entendem que os pais continuam existindo, mesmo que haja ausência física.

 

Os sintomas de sofrimento, dos três aos cinco anos, são medo exagerado, dificuldade em se afastar de um dos pais ou da casa, angústia e terror noturno. Problemas de socialização também podem ocorrer, especialmente quando a separação se torna motivo de chacota. Isso, porém, tem sido menos frequente, à medida que os divórcios se tornaram mais comuns. Hoje, os comentários de colegas são muito mais no sentido de ajudar. De qualquer forma, uma conversa esclarecedora ajuda a deixar o pequeno mais seguro e a lidar com comentários pejorativos. Agora, quando a criança apresenta alteração mais intensa de comportamento, com prejuízos a suas atividades de rotina, é hora de buscar acompanhamento profissional. Em processos litigiosos, ou quando um dos pais não consegue encarar a separação de maneira madura, a avaliação psicológica dos filhos também pode ser necessária.

Fontes

Psiquiatra Ênio Roberto de Andrade, diretor do Serviço de Psiquiatria da Infância do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; psiquiatra infantil Rosa Magaly Morais, do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP.


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