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Saúde

"Minha filha é Down"

Mônica Brandão Atualizado em 21.03.2012
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Arquivo pessoal

Olivia da Motta Vichiato Filenti, 27 anos, analista administrativa e mãe de Manuela, de 7 meses, descobriu no início da gestação que esperava um bebê especial

 

"Eu e meu marido, Leonardo Filenti, descobrimos que a Manu ia ter síndrome de Down ainda na gravidez. Quando fiz o segundo ultrassom morfológico, o especialista detectou uma cardiopatia típica de bebês com a trissomia e nos avisou. Nossa obstetra até sugeriu a realização de um exame mais invasivo para confirmar o diagnóstico, mas eu não quis. O resultado não iria mudar nada. Então só tivemos a comprovação mesmo depois do nascimento. Mas no restante da gravidez fizemos muitas pesquisas. Lógico que ficamos cheios de dúvidas e inseguranças, mas encaramos o fato de forma natural, sem dramas, sem lutos. Era isso e ponto. Conhecíamos a síndrome apenas de ouvir falar.

 

Fomos atrás de aprender tudo porque, para nós, já aceitávamos que a Manu ia ser diferente. Apesar de acontecer na 34a semana, o parto foi muito tranquilo. Optamos por uma cesárea por causa da cardiopatia. Manu nasceu com 1,5 kg e passou um pouco mais de um mês na UTI neonatal para ganhar peso. Agora, aos 7 meses, o problema no coração está controlado e em breve ela deve passar por uma cirurgia de correção. Dá um aperto no meu coração, mas sei que será para o bem dela.

 

Mesmo sabendo da síndrome com antecedência, foi uma grande surpresa quando Manu nasceu. Ela era muito diferente do que eu imaginava. Acho que exagerei na fantasia depois de ver tantas fotos de crianças assim. E o desenvolvimento dela para nós parece bem normal, mesmo se comparando com outros bebês sem a síndrome. Tenho uma amiga que teve uma filha um mês antes de mim. Conversamos sempre sobre as conquistas das duas meninas e até agora nada me parece muito diferente. Tanto que me senti tranquila para voltar a trabalhar e deixar a Manu com a minha mãe.

 

Nossos parentes e amigos foram muito legais. Nunca escutei um que pena de ninguém. Ao contrário, todo mundo dá muita força, quer aprender e ler livros sobre o assunto para ajudar mais. As pessoas hoje em dia estão mais informadas, não veem o Down como era antigamente. Acredito que essa união, junto com o nosso conhecimento sobre o assunto, é que ajuda a superar o medo e os obstáculos. Estamos muito felizes!"

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