Comportamento
"Meu filho bate na babá"
Por que ele age assim? Veja como proceder em casos desse tipo e saiba como evitar tal comportamento.
• Se ele tem 2 anos...
Nessa idade, a criança não tem a menor intenção de ser agressiva e nem sabe o que está fazendo quando dá um bom tapa na babá. Para o bebê, que não verbaliza o que sente, o ato de bater tanto pode ser um tipo de brincadeira como a tentativa de imitar comportamentos do ambiente em que vive – pense nisso. “A noção de empatia simplesmente não existe, pois ele ainda não desenvolveu a capacidade de se colocar no lugar do outro”, lembra a psicóloga especializada em terapia familiar Lana Harari, que também é docente do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Então, não é caso de se preocupar – não há nada de errado com seu filho.
O que fazer
Quando a criança levantar o braço para bater, ensine a babá a segurá-la com firmeza, sem gritos nem ameaças. Se o seu filho adora morder, é claro que ele não faz idéia de que isso machuque. Um bom jeito de evitar esse comportamento é botar um dedo em sua boca e, como se fosse uma brincadeira, ir explicando, conforme vai apertando a mordida, o quanto isso pode doer, dizendo: “Ai, assim não, vai devagar!”
Importante: o modo como você convive com a pessoa encarregada de passar horas a fio com o seu filho deve ser encarado como uma relação de casal. Isso mesmo. “Quando há respeito e confiança mútuos, o clima de harmonia fica no ar, e isso influi no comportamento do pequerrucho”, explica a psicóloga. Ocorre que nem sempre você se dá conta da briga de foice que trava consigo mesma. Explica-se: a mãe, que é quem tradicionalmente delega os cuidados para com a criança, aprecia e valoriza a ajuda da babá, só que sente certa culpa por ter de se ausentar. O ciúme também é praticamente inevitável. “Procure vigiar de perto esses sentimentos ambivalentes e trate sua babá como uma parceira”, recomenda Lana Harari. Às vezes, um bom relacionamento leva tempo para ser construído. Em tese, ela deveria ter um bom preparo para a função, como acontece em países europeus. Por aqui, é diferente. Muitas vezes, deslocamos uma pessoa que já presta serviço em nossa casa para a tarefa. É bom levar em conta também que ela vem de outra cultura e pode até achar certo pagar na mesma moeda. “Para que isso não aconteça, dialogue muito com ela e explique que é preciso bastante paciência.”
• Se ele tem 4 anos...
“Agora, sim, esse comportamento já tem valor de mensagem”, diz a psicóloga. “Cabe aos pais descobrir o que o filho está querendo comunicar.” A criança ainda não consegue lidar com as frustrações e quer impor sua vontade. Em geral, ela reage a alguma contrariedade momentânea – um brinquedo que lhe foi tomado, uma ordem que não quer obedecer. Mas também pode ser a expressão de um problema com a babá. Será que está sendo bem tratada? E você, como lida com a separação na hora de ir para o trabalho? Muitas vezes o comportamento – não vamos chamar de agressivo porque ele não é – traduz a dificuldade que a mãe tem de se separar do filho. “Ele pega isso no ar”, garante Lana. “Para dizer bem a verdade, é comum que, nesses casos, a mãe se sinta insubstituível e até feliz com as reações intempestivas do pequeno.”
O que fazer
Reflita sobre tudo isso e tente descobrir o que detonou o tapa. A criança precisa de explicações para os seus atos. Elas até podem parecer óbvias para o adulto, mas, para a meninada, certamente não são. “A missão dos pais e da babá é traduzir o mundo externo e o interno, dizendo: você me bateu porque ficou bravo quando eu o obriguei a ir para o banho.” Também é bom mudar de estratégia e usar a criatividade para que tudo pareça uma brincadeira. Em vez de levá-la para o banho à força, que tal propor que escolha qual pijama quer vestir ao sair do chuveiro? Ou perguntar se prefere esperar que o ponteiro do relógio chegue no 4 ou no 5? “A criança é regida pelo princípio do prazer, mas, com o tempo, passa a ser guiada pelo princípio da realidade”, justifica Lana Harari. “É assim que vai aprendendo o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode.”
De novo, vale a recomendação: procure estabelecer uma ótima relação com a babá. Se as interações são hostis, a criança vai reagir da mesma forma. Quanto melhores os momentos passados juntos, menor o risco de conflitos.
































