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Saúde

Medo na gravidez

Beth Caló / Foto Getty Images Atualizado em 06.12.2011
Cláudia Bebê
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Getty Images

Do medo de morrer ou de o bebê não ser normal à incerteza de dar conta do recado no papel de mãe. Conheça as causas e os antídotos contra esses temores

1. Da dor

O fantasma da dor do parto ainda assombra muitas mulheres. É compreensível. As histórias de mães e avós descrevem em detalhes as aflições de dar à luz e fazem parte de uma tradição que valoriza o sofrimento: nenhuma mulher gerará um filho sem dor, profetiza a Bíblia. A realidade atual, no entanto, desmente as profecias. Wladimir Taborda, médico ginecologista e obstetra, coordenador da maternidade do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, explica: "Assim que a gestante chega à maternidade e começa o trabalho de parto, ela já recebe assistência e apoio. Desde as contrações iniciais, pode contar com medicamentos analgésicos ou relaxantes. E, finalmente, ao atingir cerca de 6 centímetros de dilatação, é anestesiada e não sente mais dor alguma".

 

2. De que o parto seja difícil

Mulheres que se preparam cuidadosamente para um parto natural tremem com a possibilidade de que imprevistos as levem a uma cesárea ou a um parto com fórceps. De fato, mesmo que a gravidez tenha evoluído sem contratempos, há situações em que a vida do bebê, da mãe ou de ambos exige uma intervenção maior dos médicos. São casos como sofrimento fetal, mau posicionamento do bebê no canal do parto, problemas de placenta etc. "O importante é confiar no obstetra que você escolheu. É ele quem vai julgar se o parto totalmente natural é ou não viável", acalma Wladimir Taborda. Ele lembra ainda que o fórceps mudou, e só é empregado para ajudar o bebê na manobra final, quando a cabecinha já está à vista. Além disso, mais recentemente, alguns médicos têm optado pelo uso de um instrumento conhecido como vácuo extrator, que auxilia no desprendimento da cabeça do bebê, sem risco de lesão para a mãe e seu filhote. Quanto à cesárea, também não há o que temer: ela é considerada, hoje, uma cirurgia segura.

 

3. De não reconhecer os sinais do parto

Uma dúvida mais do que natural para quem vive a primeira gravidez. Márcia Prasinos, ginecologista e obstetra, orienta: "Aproveite o pré-natal para se informar ao máximo e relaxe. Os sinais mais comuns - contrações, endurecimento da barriga, rompimento da bolsa ou um pequeno sangramento - jamais passam despercebidos por qualquer grávida". Wladimir Taborda sugere ainda o curso de gestantes, oferecido hoje em dia por muitos hospitais, para que a futura mãe tenha um contato mais próximo com enfermeiras obstetras e chegue ao parto mais tranquila. Na dúvida, você sempre pode ligar para o médico ou dirigir-se ao hospital para ser examinada.

 

4. De aborto. Claro, dá medo, sim

Mas, numa gravidez normal, o melhor que se tem a fazer é ficar atenta e confiar nas sábias reações do corpo. Os maiores riscos de aborto se concentram nas 12 primeiras semanas da gestação, quando a expulsão do feto ocorre, principalmente, por causa de malformações genéticas graves, muitas vezes incompatíveis com a vida. Passada essa fase crítica, não há por que se preocupar, a menos que a grávida já tenha histórico de três ou mais abortos espontâneos. Eles podem indicar outros problemas, como doenças imunológicas (quando a grávida produz anticorpos que atacam o bebê) ou insuficiência istmocervical - o útero não consegue "segurar" o bebê -, geralmente tratada com repouso e uma pequena sutura no colo uterino, a cerclagem.

 

5. Da anestesia

Esse temor está ligado a antigas histórias de um tempo em que a anestesia raquidiana era a única usada nos partos, injetada com uma agulha muito grossa. Isso facilitava o vazamento do líquido que banha o sistema nervoso, provocando fortes dores de cabeça. Hoje, a raquidiana é utilizada, quando necessário, apenas nos últimos momentos do parto normal, durante a expulsão do bebê. Os médicos dão preferência à peridural, um tipo de anestesia que não perfura a membrana que envolve a medula, como ocorre com a ráqui, e não oferece riscos ou sequelas. Medo de choque anafilático? Não se preocupe. Márcia e Wladimir garantem: além de ser muito raro, haverá tempo suficiente para reverter o quadro. Na hora do parto, lembram os médicos, a gestante está num ambiente hospitalar, e o anestesista tem à mão todos os recursos necessários para contornar qualquer emergência.

 

6. De não gostar do filho

Embora toda mulher sinta-se na obrigação de chorar de felicidade ao ver o filho pela primeira vez, a verdade é que não se sentir atraída de cara pelo bebê é mais comum do que se imagina. A terapeuta familiar e escritora Lídia Aratangy lamenta que a maior parte das gestantes não se atreva a confessar esse medo nem a si mesma. "Ele parece contrariar todos os cânticos sobre a mulher e a maternidade. Mas o temor existe, sim, no repertório de todas as futuras mamães - e o amor também vai existir. Acho até que as que pensam nesse medo e se assustam com ele têm mais chance de se deixar conquistar pelo filho do que as que esperam receber da vida nada menos do que um Bebê Johnson. A natureza cuidou bem disso: o filhote humano se faz amar menos pela estética e mais pela expressão de desamparo com que todos nascem, que mobiliza imediatamente o desejo de protegê-lo. Por enquanto, basta isso. Depois essa vontade de proteger se fará ternura e daí por diante o bebê se encarregará de seduzir essa mulher. Deixe por conta dele, você não precisa fazer nada, só estar por perto", aconselha a terapeuta.

 

7. De que o bebê seja trocado na maternidade

As maternidades têm se cercado cada vez mais de precauções para evitar esse erro. Na maioria, logo após o nascimento e na presença dos pais, o bebê recebe dupla identificação (com uma pulseirinha em cada braço). Alguns hospitais reforçam a segurança com um código de barras na própria pulseira e outros adotam sistemas eletrônicos para monitorar toda a movimentação do bebê no berçário ou no quarto. Além disso, a impressão de pezinho costuma ficar ao lado da digital da mãe e, em ultimíssimo caso, se houver dúvidas, existe o exame de DNA, que é absolutamente preciso para identificar os pais.

 

8. De má assistência médica

Não chegar ao hospital a tempo e ter de enfrentar o atraso - ou ausência - do obstetra são inquietações comuns, mas não há com o que se preocupar. "Avisando o médico logo no início das contrações, todos terão tempo de sobra para chegar à maternidade. A primeira fase do trabalho de parto, que é a das contrações, pode levar algumas horas, principalmente sendo o primeiro filho", tranquiliza Márcia Prasinos.

 

9. De estar sozinha na hora H

Entrar em trabalho de parto sem alguém por perto pode também arrepiar os cabelos das futuras mães. Sugestão da obstetra Márcia: "Mantenha sempre à vista os telefones do médico, da maternidade, de parentes ou amigos, de pontos e companhias de táxi, de um serviço de ambulância e - por que não? - dos bombeiros (paramédicos). Afinal, numa emergência, vale tudo.

 

10. De ficar com a vagina larga

A vagina possui músculos que lhe dão elasticidade suficiente para contrair e relaxar. Durante o parto, a episiotomia - um corte no períneo - é um recurso usado para aumentar a abertura vaginal e prevenir rompimentos ou lacerações mais graves. Wladimir Taborda explica que, às vezes, depois de dois ou três partos, é possível que a vagina fique um pouco mais alargada. Nesse caso, a saída pode ser fisioterapia ou uma cirurgia corretiva, a perineoplastia.

 

11. De dar vexame

A possibilidade de evacuar, fazer xixi ou soltar gases na hora do parto incomoda profundamente algumas mulheres. Esses são eventos bastante comuns e até esperados pela equipe médica, tranquilizam os obstetras Wladimir e Márcia. Além disso, não há o que temer: fezes ou urina não contaminam o bebê, já que a equipe médica e de enfermagem se incumbe de limpar tudo rapidamente.

 

12. De não ser boa mãe

Não existe fórmula de "boa mãe". Quando uma mulher exprime esse medo, provavelmente está ligado às suas fantasias infantis e ao desejo de querer ser uma mãe melhor do que a que teve para o bebê não passar pelas frustrações que ela enfrentou. Ou o inverso: tem uma imagem idealizada da própria mãe e teme não ser capaz de cuidar do filho tão bem quanto ela. Acalme-se: "O bebê tem a maior tolerância para com a inexperiência e o desajeitamento das mães", afirma a terapeuta Lídia Aratangy. "Fora os casos patológicos de depressões pós-parto, a média de erros e acertos das mães em geral não deve variar muito de geração para geração. Sempre houve erros e sempre houve acertos, e a uns e outros os bebês resistem bravamente. Seja a mãe que você pode ser e assim terá a chance de melhorar a cada dia."

 

13. De morrer

O medo da morte costuma refletir fantasias naturais de quem enfrenta a tarefa de gerar uma nova vida. Carmita Abdo, médica, terapeuta e professora da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, acredita que a mulher consciente da responsabilidade de dar à luz uma nova vida passa por momentos de insegurança: "Ela sabe que tem de estar viva para dar conta do filho e de toda a sua cria, se ela tiver outros". Mãe não se ausenta, não fica doente e não pode morrer. Esse é o desejo de todas as mulheres que vivem a maternidade. A gestante que fez um bom pré-natal e programou um parto assistido, num hospital adequadamente equipado, não tem razão para temer desdobramentos graves na hora do nascimento do bebê.

 

14. De malformação do feto

Um medo justificável em algumas situações, como antecedentes de problemas na família ou em outras gestações e usuárias de determinados medicamentos. Para se tranquilizar, pondere com o médico os riscos e as vantagens de alguns exames de medicina fetal. Thomas Gollop, professor da Faculdade de Medicina da USP, ginecologista e obstetra especializado em medicina fetal e genética, explica que o chamado teste triplo, que é um exame de sangue comum, e o ultra-som com translucência nucal dão indícios de síndromes genéticas logo no início da gravidez. Outros, de resultados mais exatos, envolvem risco de aborto e só se justificam quando há fortes suspeitas de malformação. O mais conhecido é a amniocentese, mas há também a biópsia de placenta para análise de vilocorial e cordocentese. Realizados em diferentes fases da gestação, analisam o material genético do feto e são considerados invasivos, pois coletam amostras, respectivamente, do líquido amniótico, da placenta ou do cordão umbilical. Além disso, quase todos os médicos pedem o ultra-som morfológico fetal em torno do quarto mês para avaliar o bebê em detalhes. Não tem contra-indicações para o feto nem para a mãe e representa um grande avanço para o diagnóstico de malformações congênitas.


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