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Comportamento

Hora de dormir sozinho

Lila de Oliveira Atualizado em 02.12.2011
bebe-dormindo
Getty Images

Se você é parte do grupo das mães que fazem tudo para adiar a ida do bebê para o outro quarto, entenda por que é importante fazer a mudança o quanto antes

 

A maioria das futuras mamães dedica boa parte dos nove meses de gravidez à preparação do quarto do novo membro da família. Berço, cômoda, papel de parede e bichos de pelúcia, entre outros itens, aos poucos vão dando vida ao espaço onde a criança passará seus primeiros anos. No entanto, mesmo que cada detalhe tenha sido pensado para garantir o conforto do filho, nem sempre é fácil colocá-lo para dormir sozinho nesse ambiente.

 

O medo e a ansiedade dos pais muitas vezes fazem com que eles deixem o recém-nascido em seu quarto, de acordo com a psicóloga Silvana Rabello, da PUC-SP. “É lógico que ter um bebê em casa é preocupante e demanda cuidados, mas, se for possível administrar isso sem que ele precise deixar seu cantinho, melhor”, diz..

 

A pediatra Mary Lise Moyses Silveira, da Unifesp, explica que, quanto mais noites o filho passar no dormitório dos pais, mais difícil será se habituar a dormir sem ninguém por perto. “Por isso, diferentemente do que muita gente pensa, o ideal é que o bebê durma separado do casal desde a chegada da maternidade”, afirma.

 

Outro fator que leva muitas mães a manter os pequenos ao seu lado por toda a noite é a praticidade, já que, especialmente no primeiro mês, a amamentação ocorre com muita frequência – em alguns casos, de três em três horas. Entretanto, os especialistas indicam que os pais procurem se adaptar aos hábitos do filho –, e não o contrário.

 

A recomendação vale também para a hora de dormir. “Manter uma rotina é fundamental para que o recém-nascido tenha um sono tranquilo, porém é mais importante agir sempre conforme as suas necessidades”, orienta a professora da Unifesp. Ela explica que, aos poucos, o próprio bebê estabelece suas regras, e cabe à família interpretá-las para que possa se adequar a elas.

 

Nova vida para o casal

A permanência do bebê no dormitório dos pais pode ser prejudicial também para o casal. Sua intimidade geralmente é abalada pela chegada da criança e, se ela ocupar 100% de sua atenção, retomar o relacionamento do ponto em que estava no momento da concepção será ainda mais difícil.

 

Para Maria Luísa Valente, professora de Terapia Familiar da Unesp de Assis, no interior de São Paulo, a ligação da mãe com o filho, particularmente no início, é tão intensa que o pai pode desenvolver uma espécie de ciúme dessa relação. Assim, é possível afirmar que há uma dificuldade de resgatar a intimidade em todos os seus aspectos, e não apenas no sexual.

 

A psicóloga conta que com frequência atende mães que dizem dormir com o nenê na cama do casal – enquanto o pai se “muda” para outro cômodo – porque a criança se sente insegura. “Embora muitas vezes essas mulheres não percebam, na verdade o que pode estar acontecendo é uma fuga, mesmo que inconsciente, pelo fato de não se sentirem preparadas para o retorno à vida sexual.” Maria Luísa aconselha, portanto, que pai e mãe utilizem o período do sono do recém-chegado para se reaproximar.

 

Apague a luz

“Bebês não costumam ter medo do escuro”, destaca a profissional da Unesp. “Esse sentimento se manifesta, em geral, a partir dos 7 anos de idade e está relacionado a outros fatores, e não apenas ao fato de a criança estar sozinha”, esclarece. Então, quando chegar o momento de enfrentar o medo – da mãe – e colocar o bebê no berço, desligar as luzes e deixá-lo descansar será a melhor solução.

 

Mesmo que a tarefa pareça bastante difícil, é necessário encará-la, pois, além de o recém-nascido não precisar da luz, ela inibe a ação de determinados hormônios que atuam enquanto dormimos. “Funções essenciais ao nosso organismo, como o estabelecimento da memória e a elaboração do inconsciente, entre outras, ocorrem somente durante o estágio mais profundo do sono, que é prejudicado pela presença da luz”, alerta Maria Luísa.

 

Já a pediatra Alessandra Cavalcante, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, acredita que a luz possa servir como uma referência para os pequenos, mas reforça a importância de manter a baixa luminosidade. Vale optar por luzes de tomada – específicas para dormitórios infantis –, abajures pequenos, luminárias com regulagem de intensidade ou ainda deixar uma fresta da porta aberta.

 

Alessandra explica que, como a luz, o barulho também atrapalha o sono. Dessa forma, mesmo que a criança tenha sido acostumada a dormir com ruídos, como o da televisão do quarto dos pais, músicas só são recomendadas em casos de bebês muito agitados. “E, por mais tranquila que seja, a música precisa ser desligada depois que ele adormecer para não prejudicar suas funções cerebrais”, completa a médica.

 

Saia de cena e relaxe

Barulho e movimento nunca são bem-vindos durante o soninho dos pequenos. “Por isso, a mania que muitas mães têm de verificar a toda hora se seu filho está bem deve ser controlada”, afirma a psicóloga da Unesp. Mas, como nesse momento é natural querer estar ao lado do bebê, precisa-se ter bom senso acima de tudo. A profissional chama a atenção para a importância de não permitir que a criança perceba a insegurança da mãe. “Mulheres tranquilas criam filhos tranquilos”, diz.

 

Quando a insegurança dos pais é muito grande, é interessante optar pela babá eletrônica, mas, segundo os especialistas, o aparelho não é indispensável. “Basta deixar as portas dos dois cômodos entreabertas para poder atender a qualquer chamado”, orienta Maria Luísa.

 

A pediatra do Hospital São Luiz sugere que os pais tentem se controlar antes de sair correndo diante de qualquer gemido do nenê. Isso porque, se toda vez que ele chorar alguém prontamente lhe der colo, fazê-lo mudar de atitude será muito mais difícil. A dica de Alessandra é fazer companhia à criança até que ela pegue no sono apenas nos primeiros dias após a mudança.

 

“Passado esse período, é importante que ele já durma sem a presença dos pais, que devem tentar deixá-lo chorar por alguns minutos, desde que tenham a certeza de que todas as suas necessidades já tenham sido supridas”, opina. “Desse modo, a duração do pranto tende a diminuir a cada dia, até que o nenê de fato se acostume ao novo espaço, o que normalmente ocorre em até duas semanas.”

 


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