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Saúde

Grávida aos 16 anos

Manuela Macagnan Atualizado em 02.12.2011

Conheça a história de Gabriele Moreira, uma adolescente que aguarda ansiosa a chegada de sua bebê, a pequena Nicole

Gabriele Moreira está grávida de quase 9 meses e tem uma rotina normal, como muitas mulheres por aí. Acorda cedo, cuida da casa, limpa, cozinha e é apaixonada pelo marido. Tudo normal, não fosse um detalhe: ela tem 16 anos. A menina alegre, que mexe as mãos sem parar enquanto fala, conheceu Denis, o pai da criança, por meio de amigos em comum. “A gente começou a ficar e depois a namorar e, no dia 25 de dezembro, ele me pediu em casamento”, conta.

 

Desde pequena, Gabriele é apaixonada por crianças e sempre quis ter dois filhos, “mas não agora, né?”, completa depressa. Mas um descuido no uso da pílula anticoncepcional fez com que Nicole fosse encomendada antes da hora. A gravidez não foi planejada, mas Gabriele garante que nunca foi indesejada: “Nunca pensei em abortar. É a minha filha, e ela não tem culpa de nada”. Apesar de a família toda estar contente e ansiosa pela chegada do bebê, nem tudo foi fácil no início: “Minha mãe ficou furiosa! Brigou comigo, disse que sou muito nova, que iria parar de estudar e estragar a minha vida”.

 

Denis tem 21 anos, estudou até completar o 3º ano e trabalha como operador de subestações de trem. Desde que pediu Gabriele em casamento, começou a construir uma casa para eles em um terreno ao lado da casa da mãe. Quando descobriu que seria pai, vendeu o carro para adiantar a obra. Como trabalha um dia sim e outro não, está construindo a casa com a ajuda do pai, tijolo por tijolo. Gabriele é a terceira filha de Ofélia, que engravidou pela primeira vez aos 17 anos. Com os outros dois filhos, Ofélia não tem mais contato e a menina acabou sendo a princesinha da casa: “A Gabriele é a melhor filha que eu poderia querer. Nunca me decepcionou, e sempre me ajuda com tudo. E a Nicole é uma bênção. Você não imagina como essa criança está sendo esperada”, conta a futura avó. Assim como Gabriele, outras meninas da família engravidaram cedo, como uma prima de 16 anos, que tem uma filha de 8 meses.

 

As tarefas e obrigações de Gabriele são como as de uma mulher adulta: ela é responsável pela casa de três cômodos que divide com o marido e a mãe – que trabalham fora. Os resquícios da adolescência revelam-se no aparelho nos dentes, no hábito de assistir a um seriado sobre o cotidiano de jovens na televisão e no fato de ela ainda frequentar a escola – está no 1º ano. “Gosto de limpar a casa. Detesto sujeira”, conta a menina no quarto que ocupa com o marido – um cômodo sem janelas que também faz as vezes de sala de televisão e sala de refeições.

 

É nessa casa que Gabriele planeja a chegada da sua filha. Ela sabe que muita coisa mudará na sua vida, mas parece ter tudo organizado e sob controle. Diz que vai continuar estudando: “A Nicole vai ficar uma noite com o Denis e uma noite com a minha mãe enquanto estou no colégio”. Ela estuda à noite e planeja começar a trabalhar assim que o bebê completar 6 meses: “Não quero depender do meu marido. O coitado já precisa se preocupar em manter a casa e a Nicole”. Essa mesma mulher decidida e bem resolvida tem os medos comuns de qualquer mãe de primeira viagem: “Estou com muito medo do parto. Gostaria de fazer parto normal porque é uma dor só, mas dizem que sou muito nova e dificilmente terei passagem”. Depois que o bebê nascer, os medos são outros: “Fico pensando se saberei limpar direitinho, dar banho. Tenho medo de que ela engasgue com o leite, medo de a minha barriga não voltar ao normal...”

 

A alimentação mudou para se adaptar à gravidez. Gabriele adora chocolate, mas parou de comer porque fica cheia de espinhas. Além disso, tem comido legumes e muita carne, apesar de não gostar muito. “Sou viciada em achocolatado com leite e detesto abobrinha, mas minha mãe faz eu comer. Por mim, só comeria porcaria. Não engordo de ruindade”, conta a futura mamãe, que ganhou apenas 11 kg nos sete meses de gestação. Mas essa consciência com a alimentação saudável é recente. “No início da gravidez, eu acordava no meio da noite com desejo de batata frita. Levantava às 4 horas da madrugada e fritava!”, diz, se divertindo.

 

Da adolescência que ficou para trás, Gabriele sente falta de não ter conhecido uma balada: “Nunca fui porque a minha mãe e as mães das minhas amigas não deixavam a gente sair. E agora não posso mais porque o meu marido é muito ciumento e não deixa”.

 

Quando quer dar ênfase a alguma coisa, a futura mamãe começa a frase com “ôôô”. Todo o enxoval de Nicole é rosa e as roupas são muito grandes. Gabriele explica que, como ela e o marido são altos, Nicole certamente nascerá bem grande: “Ôôô, ela vai ser enorme! Eu tenho 1,70 m altura, e o Denis, 1,85”. Ela explica enquanto mostra as roupinhas e revela um jeito desajeitado de menina: “Essa coisinha aqui ganhei da minha sogra, mas não lembro para que serve. E isso aqui é para colocar por baixo da roupinha”.

 

O casal, apesar de tão novo para criar um filho, está cheio de planos. Eles adoram a ideia de que a filha chegará no verão, já ganharam a saída de maternidade, compraram fraldas e decidiram que ela será corinthiana. O parto de Nicole está marcado para 25 de dezembro – no mesmo dia em que, um ano antes, Gabriele foi pedida em casamento.


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