Dinheiro
O dinheiro e as crianças
Ajudar pais a educar as crianças para que sejam adultos financeiramente saudáveis é a intenção da jornalista Patrícia Broggi em seu livro. Leia a entrevista abaixo
Patrícia Broggi: Meu livro é sobre como ensinar o valor do dinheiro e o que muda na vida financeira da família após o nascimento dos filhos. Logo no começo, falo das três regras básicas para uma boa educação financeira. A primeira delas, e a mais importante, é o exemplo. Não adianta nada os pais darem uma orientação, se no dia a dia eles fazem de outro jeito.
A segunda regra é limite. Impor limites dá para os filhos parâmetros do que podem e o que não podem fazer, situa as crianças e, dentro disso, eles aprendem como se movimentar. Dou até um exemplo simples: definir quantos sorvetes eles podem tomar num dia de praia. Eu falo que em casa é um e de fruta que é mais barato. Assim as crianças já recebem duas informações de limite: a de quantidade e a do custo.
A terceira regra é falar sobre o assunto: dinheiro não pode ser tabu numa família. Deve-se falar sobre isso em qualquer idade, basta moldar a maneira. O assunto precisa estar na pauta da casa como outro qualquer.
Patrícia Broggi: Sempre é possível mudar hábitos. Aliás, essa é uma das grandes vantagens do ser humano, sabemos nos reinventar, recomeçar. Para isso, vai ser necessária uma vontade verdadeira e orientação para seguir o caminho certo.
Patrícia Broggi: Os pais podem falar sobre dinheiro com os pequenos a partir do momento que eles comecem a compreender números. Apresentar para as crianças moedas e notas, mostrar as diferenças entre elas. Quando são pequenas, é comum elas preferirem quantidade a valor, trocam facilmente três notas de dois por uma de dez, mas, aos poucos, vão compreendendo essa diferença.
Depois de devidamente conhecidas as notas e as moedas, os pais podem ensinar os conceitos de ganhar, gastar e guardar - o que se faz com dinheiro, afinal. Nessa época, as crianças já podem ganhar um cofrinho e aprender a guardar moedas. A partir dos sete anos, eles podem começar a receber uma semanada. A semana é melhor do que o mês porque a distância entre um mês e outro é muito grande para eles.
Patrícia Broggi: Sim, não tenho dúvida. As duas fazem parte do grande processo de aprendizado para se tornarem adultos saudáveis, responsáveis e conscientes.
Patrícia Broggi: Aqui entra o papel do limite, importante para todo mundo. O limite não significa apenas um valor dentro do que a família pode gastar, mas um valor que combine com o que a família acha certo gastar. Elas precisam também saber que, muitas vezes, podem comprar uma coisa e mesmo assim não irão fazê-lo, pelo produto não ser necessário ou porque os pais não acham que é o momento de tê-lo. Ensinar aos filhos o momento de consumir é o grande segredo - sem tirar o prazer de uma compra surpresa, que, afinal, é uma delícia.
Patrícia Broggi: O livro é montado em capítulos curtos, geralmente baseados em situações do cotidiano. Desde a hora de ganhar um celular, como lidar com as coleções, como se relacionar com amigos que têm mais ou menos do que seus filhos, como segurar o consumo em uma viagem para a Disney... A partir dessas situações, dou sugestões de maneiras de agir e dicas do que as crianças podem aprender com cada uma delas.
Fontes
Falando de grana - um guia para pais, de Patrícia Broggi, Ed. Panda Books, 216 págs.
































