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Educação

Estudar inglês em casa ou na escola?

Giuliano Agmont Atualizado em 02.12.2011

Obrigar o filho a estudar em uma escola de idiomas a contragosto é prejudicial à criança. Veja as vantagens e desvantagens do ensino bilíngue

O neurologista Luiz Celso Vilanova acredita que o ensino bilíngue ideal é aquele que se promove dentro de casa, como costuma acontecer em famílias cujos pais (ou avós) tenham nacionalidades diferentes. “Mas é muito importante que a criança possa associar cada língua especificamente ao pai ou à mãe”, recomenda Vilanova. “O pai argentino, por exemplo, deve usar somente o espanhol quando estiver com o filho, e a mãe brasileira, apenas o português. Isso fará com que a criança fixe o bilinguismo de modo mais natural e espontâneo.”

 

A situação é um pouco diferente para pais brasileiros que desejam fazer do filho um indivíduo fluente em idiomas estrangeiros. Eles vão precisar recorrer a uma instituição de ensino. E aí voltam as questões... A psicopedagoga e fonoaudióloga Quezia Bombonatto, embora prefira também não fazer generalizações, acha que vale a pena colocar a criança ainda pequena numa escola bilíngue. “Mas sem exageros”, alerta a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. “Acho prematuro, por exemplo, matricular um bebê de 1 ou 2 anos nesse tipo de escola. Creio que a faixa mais adequada de idade para incluir um segundo idioma no aprendizado escolar de uma criança seja dos 3 aos 7 anos.”

 

Os especialistas garantem que as crianças estão aptas a aprender mais de um idioma ao mesmo tempo sem prejuízo à sua capacidade de comunicação. Isso, evidentemente, para as que possuem o desenvolvimento neurológico normal. “Se a criança apresenta algum tipo de atraso, que o pediatra detecta e informa aos pais, há o risco maior de que ela não assimile nem um idioma nem o outro”, alerta o neurologista infantil Luiz Celso Vilanova. A escola tem de estar preparada para promover o ensino bilíngue de maneira adequada, e cabe aos pais ou responsáveis verificar isso antes de matricular a criança.

 

Para a pedagoga Selma de Assis Mouro, é preciso adotar quatro critérios principais na hora da avaliar uma escola bilíngue:

 

1) O segundo idioma deve ser utilizado como meio de acesso ao conhecimento e não como objeto de estudo. Ou seja, a criança tem de usar a língua como ferramenta para ter as primeiras noções de matemática, artes e demais áreas. Vale a pena pedir um currículo por escrito da escola para avaliar como os idiomas entram no dia-a-dia do aluno.

 

2) É preciso tempo para que a criança desenvolva fluência em outra língua. Isso significa que ela deve ser submetida ao segundo idioma pelo menos de três a quatro horas por dia. Em alguns casos, a escola pode até oferecer apenas o segundo idioma, uma vez que o primeiro a criança tem em casa.

 

3) Além de bilíngues e com boa fluência nos dois idiomas, os professores têm de ter graduação em pedagogia ou letras. Dominar um assunto não significa estar capacitado a ensinar.

 

4) As instalações da escola precisam ser adequadas para uma criança pequena. O ambiente tem de ser claro, limpo, ventilado, seguro e estimulante. Livros, brinquedos e materiais variados devem estar disponíveis para os alunos. Deve haver locais apropriados para ouvir e contar histórias, brincar, fazer arte, correr, pular, dormir, comer, lavar-se, trocar-se e assim por diante.

 

“O aprendizado tem muito a ver com questões afetivas. Não é só aquisição de conhecimento”, esclarece Quezia Bombonatto. “O segundo idioma tem de ter significado para a criança.” Na prática, isso quer dizer que os pais que colocam o filho numa escola bilíngue apenas por status social ou porque acham bonito ouvir a criança proferir algumas expressões estrangeiras podem estar cometendo um erro. Não que isso vá causar algum dano irreversível ao pequeno, mas o investimento corre o grande risco de ficar sem retorno, isto é, a criança vai “perder” o que aprendeu na escola.

 

“A única situação em que o ensino bilíngue pode ser prejudicial à criança é aquela em que o pai obriga o filho a fazer o curso a contragosto”, diz a pedagoga Selma de Assis.

 

Além de estrangeiros que querem perpetuar o uso de sua língua natal na família, a escola bilíngue também é bastante procurada por pais que pretendem fornecer ao filho uma ferramenta a mais para, no futuro, ampliar seus conhecimentos e enfrentar o mercado de trabalho. “A globalização chegou à infância”, diz, brincando, Selma Assis. “Esse é um cuidado legítimo, afinal, 70% do conteúdo da internet está em inglês, e boa parte do restante, em espanhol.”

 

Feita a matrícula, é importante acompanhar o desenvolvimento da criança. Criar contextos próprios para o uso do segundo idioma é a maneira mais saudável de fazer isso. Podem ser vídeos, músicas, leituras e conversas. “O pai não precisa necessariamente saber o segundo idioma. Muitas vezes, ensinar ao adulto algo novo pode ser estimulante para a criança. Mas é preciso que o filho veja valor e sentido no aprendizado da língua nova e só os pais vão poder transmitir isso a ele”, continua a coordenadora pedagógica. “Isso só se consegue estando disponível para o filho e se concentrado em atividades ligadas ao segundo idioma.”

 

Misturar idiomas no processo de aprendizado do bilinguismo é algo absolutamente normal. E a própria criança, aos poucos, se encarrega de fazer as devidas separações. “Pode até haver no caso de bebês um atraso da fala, mas nunca de linguagem”, tranquiliza o médico Luiz Celso Vilanova. Os bloqueios também são comuns. Devem-se, no entanto, a questões emocionais e não cognitivas. Nesses casos, dizem os especialistas, é importante estimular a autoconfiança da criança e ensiná-la a lidar com os erros de maneira natural.

 

O terceiro idioma também pode ser muito bem-vindo. “Geralmente, quem fala dois idiomas tem mais facilidade para aprender um terceiro”, diz o médico Luiz Celso Vilanova. “Quanto antes o indivíduo é exposto a novos idiomas, melhor. Pessoas que têm contato tardiamente com uma língua não vão identificar seus fonemas e, sim, associar aqueles sons a algo próximo do que ele aprendeu. O resultado é a fala com sotaque estrangeiro”. Já a alfabetização também gera bastante polêmica. O professor Vilanova recomenda que se faça primeiro a alfabetização da língua nativa para depois fazer a outra. A pedagoga Selma de Assis, por sua vez, acredita que seja possível conciliar as coisas.


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