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Alimentação

Estimuladores de apetite infantil

Flávia Pinho Atualizado em 17.01.2012
Estimuladores de apetite infantil
Getty Images

Ainda é muito comum que pais e mães solicitem ao pediatra a prescrição de fortificantes para seus filhos. Saiba quais são os prós e os contras do uso desses produtos

"Meu filho não come, doutor." Essa é uma das queixas mais ouvidas pelos pediatras de todos os tempos - e hoje, em plena era de epidemia de obesidade, não é diferente. "Costumo dizer que as mães, mais até do que os pais, têm um olhar emagrecedor. Elas sempre acham que os filhos estão abaixo do peso, mesmo que sejam saudáveis", conta o pediatra Ruy Pupo Filho, autor do livro Como Educar Seus Filhos (Ed. Campus/Elsevier). "A maioria pede a prescrição de fortificantes para estimular o apetite dos pequenos." Afinal, quem nunca ouviu uma avó ou tia comentando sobre os efeitos milagrosos desse tipo de elixir?

 

Há cerca de um século os fortificantes têm o suposto poder de fazer milagres - e, acreditam as pessoas, se não funcionarem, mal também não irão causar. Ao contrário do que se pensa, estimulantes de apetites não são substâncias inocentes e podem, sim, provocar efeitos colaterais perigosos se ingeridos sem necessidade. O tipo mais popular de fortificante não passa de um composto de vitaminas, ferro e cálcio, em proporções que variam de acordo com a marca. E só funciona como estimulante de apetite, garantem os especialistas, se a causa da inapetência for alguma deficiência de nutrientes. Crianças anêmicas, por exemplo, podem se beneficiar. A ingestão de ferro corrige o problema e, como consequência, o apetite volta ao normal.

 

O perigo da automedicação

O problema começa quando entra em cena a automedicação. Ingerir suplemento de ferro sem necessidade provoca diversos efeitos colaterais. "A substância se deposita em locais como o fígado, o baço e a medula óssea, levando a um funcionamento inadequado desses órgãos", alerta a nutróloga Roseli Sarni, presidente do departamento de nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. "O uso exagerado de complementos vitamínicos também pode aumentar a prevalência de doenças na vida adulta, como câncer de pulmão", diz ela.

 

Quem compra fortificante sem prescrição médica corre ainda outro risco: o de mascarar sintomas de males, como alguns tipos de tumores infantis. E o que também é grave: pode levar para casa fórmulas que aliam as vitaminas a um anti-histamínico. "Esses remédios, utilizados em casos de alergia, atuam no sistema nervoso central e apresentam o aumento da vontade de comer como efeito colateral transitório. Só que, além disso, causam sonolência, distúrbios do humor, perda da capacidade de concentração e, consequentemente, prejuízo no desempenho escolar", adverte o pediatra Roberto Bittar, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

 

Fizemos o teste: visitamos algumas farmácias em busca de fortificantes sem receita médica. Basta dizer "Meu filho não come, o que posso dar a ele?" e o atendente do balcão logo se enche de produtos que, conforme anunciam os vendedores, são capazes de resolver facilmente o problema. O mais surpreendente é notar que boa parte desses suplementos, recomendados e vendidos livremente, contém algum anti-histamínico na fórmula.

 

Os mais comuns são a ciproeptadina e a buclizina - listado em meio a vitaminas e outros nutrientes. Em algumas embalagens, essas substâncias recebem destaque e vêm associadas a promessas do gênero "um comprovado estimulante de apetite" ou "aumento de peso em uma semana".

 

Como saber se o apetite está na medida

A esta altura você deve estar pensando em como lidar com essa situação. O caminho, dizem os pediatras, começa pela reavaliação do próprio conceito de apetite. "A medida do 'não comer' é dada subjetivamente pelos familiares, não pela necessidade real de cada criança", afirma Roberto Bittar. "É preciso analisar a evolução do crescimento e o ganho de peso individualmente, com auxílio de tabelas e gráficos, para avaliar se a queixa está, realmente, repercutindo no desenvolvimento da criança." Ou seja, pode ser que seu filho esteja ingerindo uma quantidade de alimentos mais do que suficiente para o padrão dele, o que é determinado pela genética e pelos hábitos alimentares da família.

 

Há outras variantes a considerar. O apetite infantil, assim como o nosso, muda de acordo com o clima e pode diminuir bastante em função de resfriados, gripes e infecções. "Esses eventos, quando acarretam perda de peso, são logo seguidos por um período de recuperação", explica Bittar. Há que levar em conta também a faixa etária da criança. Dos 2 anos até o início da puberdade, o crescimento não é tão acelerado quanto no primeiro ano de vida, o que leva a uma redução natural do apetite. O quadro é agravado pela falta de interesse pelo alimento, já que, nesse período, a criança só quer saber de explorar o mundo ao seu redor e a comida tem importância secundária. "Sentar-se à mesa pode lhe parecer pura perda de tempo", diz o pediatra.

 

Biotônico Fontoura: o pai dos fortificantes

Era uma vez...

Não é por acaso que os fortificantes habitam o nosso imaginário coletivo. O mais famoso deles, o Biotônico Fontoura, foi criado no começo do século XX e contou com uma senhora campanha de divulgação, idealizada por ninguém menos do que Monteiro Lobato. Na época eram comuns as anemias causadas por parasitoses intestinais, sobretudo na região rural - e o tônico fornecia o ferro necessário à cura. Amigo de Cândido Fontoura, criador da fórmula, o escritor criou o Almanaque do Jeca Tatu para explicar as propriedades do produto em linguagem simples. O que ninguém esperava era que o personagem fizesse tanto sucesso e se tornasse um dos clássicos da nossa cultura.

 

Nova fórmula

Um dos argumentos da turma contrária aos fortificantes era a alta concentração de álcool etílico nas formulações. Isso mudou em 2001, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que fortificantes pediátricos não podiam conter mais do que 0,5% de etanol. Essa baixa concentração ainda é permitida porque as vitaminas A, E, K e D não são solúveis em água e precisam do álcool para serem dissolvidas.

 

É normal ou devo investigar?

Antes de se angustiar porque o pequeno não come, confira a lista preparada por nossos consultores, com os sintomas mais do que naturais de falta de apetite e aqueles que, de fato, merecem investigação médica.

 

Quando é normal não ter apetite

• A partir dos 2 anos, as conquistas motoras, aliadas à diminuição considerável do ritmo de crescimento, provocam redução importante do apetite - que, em geral, retorna com força total em torno dos 12 anos;

• Resfriados, gripes, outras infecções e até mesmo o despontar ou a troca de dentes se refletem diretamente no prato. Relaxe. Tudo volta ao normal logo depois;

• Em dias muito quentes - ou pra lá de agitados, com várias atividades que roubam a atenção dos pequenos - o apetite, geralmente, se ressente;

• Crianças não costumam reagir bem a novos alimentos. A tendência natural é recusá-los. Não desista. Às vezes é preciso apresentar as novidades dezenas de vezes.

 

Quando é melhor investigar

• Se notar que seu filho é muito menor do que as crianças da mesma idade, leve-o ao pediatra para acompanhar o ganho de peso e altura;

• Sonolência, palidez e pouca disposição podem indicar falta de nutrientes importantes, como ferro, cálcio, vitaminas e zinco. Relate o problema ao médico e sugira a realização de exames;

• O motivo também pode ser emocional. Algumas crianças se recusam a comer como forma de protesto. Se for o caso, procure, em primeiro lugar, encontrar o motivo dessa birra;

• Alterações bruscas de apetite por períodos prolongados podem ter causas orgânicas mais graves, como problemas digestivos ou de mastigação, doenças infecciosas mais sérias e alguns tipos de câncer, como a leucemia.


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