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Família

Entrevista com um pai despreparado

Manuela Macagnan Fotos: Carla Formanek Atualizado em 27.01.2012
Entrevista com um pai despreparado
Foto Carla Formanek

O jornalista, pai, padrasto e escritor Renato Kaufmann lança o seu segundo livro, Como nascem os pais

 

O jornalista Renato Kaufmann pediu ao gênio da lâmpada para viver cercado de mulheres e... foi atendido! Hoje, divide a casa com a filha, Lucia, a esposa, Ana, e a enteada, Maria.

Aos 36 anos, o jornalista lança o seu segundo livro: Como Nascem os Pais, depois do enorme sucesso do primeiro, Diário de um Grávido, em que Kaufmann narrou os nove meses de espera pela pequena Lucia. Confira o bate-papo e os conselhos desse superpai.

 

Você disse que a sua enteada, Maria, é uma leitora crítica. O que ela achou do livro? E Lucia gostou de se ver na capa?

Renato Kaufmann: Apesar de ter um capítulo nele só com a Maria contando o que ela achou do Diário de um Grávido, ela reclamou que neste ela aparece pouco. Pediu pra eu escrever um livro chamado Como Nascem os Padrastos. Fora isso, ela riu muito lendo a obra. A Lucia adorou se ver na capa e nas ilustrações. Eu fiz um book trailer, que mostra a Lucia falando sobre a capa do livro: “Quando eu nasci, eu fiquei rosa. Igual ao papai. Mas agora ele não está azul”.

 

Antigamente a criação dos filhos era uma obrigação exclusiva das mulheres. Hoje, como o casal trabalha fora, a tendência é que os afazeres sejam divididos dentro de casa. Você acha que ainda existe tarefa de pai e tarefa de mãe?

Renato Kaufmann: Desde os tempos das cavernas até recentes décadas, o papel do homem era sair (em longas viagens de caça ou a trabalho), enquanto a mãe ficava com as crianças. Isso não quer dizer que ela não trabalhava. Ela poderia estar cuidando da roça, defendendo a criança contra feras selvagens e afins. Por “ficar na base”, ela tinha um papel maior em cuidar das crianças. Hoje, de fato, muitas mulheres trabalham fora e as tarefas são divididas. Ainda existem estereótipos de tarefa de pai e tarefa de mãe, mas no fim são intercambiáveis, exceto, talvez, a amamentação.

 

Qual a importância do pai no papel de “cortador de cordão umbilical” que o bebê tem com a mãe?

Renato Kaufmann: Enorme. Se deixar, mãe e bebê não cortam esse cordão jamais. Aliás, há muita gente assim por aí. Cabe ao pai o ingrato papel de romper essa conexão. Inclusive, Freud tem muito a dizer sobre esse assunto. Acho que Lacan também, mas ninguém entende o que aquele homem escreve. Digo, escrevia.

 

Qual a melhor parte de ser pai de menina?

Renato Kaufmann: Sem dúvida, a grande conexão que as meninas têm com o pai é muito legal. Como efeito colateral, a gente acaba entendendo melhor o universo feminino.

 

Você disse que ser pai de menina exige um extenso preparo psicológico que você não tem. Se pudesse dar um conselho aos pais que esperam uma menina, qual seria?

Renato Kaufmann: Aí vem o outro lado da moeda. Acho que o melhor conselho é... faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Quando ela é pequena, você só precisa lidar com três classes, o futuro pretendente, que serve de treino psicológico, mas é inofensivo, o amigo piadista, que é irritante, mas inofensivo, e o pior deles, o amigo pretendente, aquele que diz “sua filha quando fizer 18 anos, hein...”. Esse merece uns tapas. Mas a verdade é que, quando chegar a hora, sua filha vai aprontar muito. O importante é que ela aprenda a diferença entre o que ela quer e o que os outros querem.

 

Como você arruma tempo para trabalhar, ter dois blogs, duas crianças e dois livros? A falta de tempo o deixa mais produtivo?

Renato Kaufmann: Olha você querendo arrumar encrenca com o meu chefe. Na verdade, não dá pra fazer tudo isso. Assim como não dá pra deixar de lado as crianças, nem o trabalho, nem meu segundo blog , nem o livro, que era pra eu ter entregue em janeiro, e só entreguei em maio!

 

Em um dos capítulos do livro, você brinca com o consultório do Dr. Neural. No dia a dia, recebe muitas dúvidas de pais desesperados?

Renato Kaufmann: Pouca coisa. Mas, por alguma razão, vira e mexe alguma mãe me escreve perguntando se o médico pode ter se enganado com o resultado do ultrassom, que segundo ele acusou sexo feminino. Caramba, pode, mas eu sou um leigo. Para mim, ultrassom e teste de Rorschach são a mesma coisa. Quem estudou medicina foi o outro cara!

 

Você se considera um pai despreparado. Existe forma de se preparar para a paternidade?

Renato Kaufmann: Você pode ler, conversar e observar. Mas, no fim, só a prática ensina de verdade. Ou você escolhe o caminho mais curto: cachaça. Você ao menos se sente mais preparado.

 

Os seus gatos o ajudaram a se tornar um bom pai?

Renato Kaufmann: Sem dúvida. Cuidar de um bicho que destrói seus móveis, bagunça sua casa e bebe água da privada é um ótimo treino de paternidade. Por outro lado, se você deixar os gatos em casa no fim de semana e for à praia, tendo água, areia e comida, tudo bem. Bebês... talvez não.

 

No livro, você conta que Lucia não foi planejada. Vocês querem ter mais filhos?

Renato Kaufmann: Seria ótimo, mas agora que está chegando a fase em que eu vou começar a dormir um pouco (confesso, amo dormir), começar tudo de novo? Afe!

 


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