Saúde
Como usar a mamadeira de plástico com segurança
É preciso tomar certas precauções para evitar a liberação de bisfenol-A, composto tóxico do plástico, que afeta a saúde do bebê
Nos últimos dias muito tem se falado sobre as mamadeiras de plástico e o risco de elas liberarem substâncias tóxicas, como o bisfenol-A ou BPA. A maior parte das mamadeiras é fabricada com um tipo de plástico duro, transparente e quase inquebrável, chamado policarbonato. Esse material tem, na sua composição, uma substância conhecida como bisfenol-A ou BPA. Especialistas descobriram que quando os objetos de plástico são expostos a altas temperaturas, como o aquecimento no micro-ondas ou no banho-maria, liberam a tal substância. Toda essa discussão deixou mães e pais bem preocupados. Por isso, conversamos com alguns especialistas para esclarecer sobre a segurança - ou não - do uso desses acessórios por bebês e crianças pequenas.
Todas as mamadeiras de plástico liberam bisfenol-A?
Não. Nem todas as mamadeiras contêm bisfenol-A na fórmula. O pediatra e toxicologista Sérgio Graff explica que produtos que utilizam o bisfenol tendem a liberar a substância quando aquecidos. "Se você esquentar a mamadeira, por exemplo, é provável que ela libere bisfenol-A e misture-se ao líquido. A dúvida é quanto à quantidade liberada".
Como saber qual mamadeira possui bisfenol-A?
O bisfenol-A está presente em muitos tipos de plásticos. Para identificá-lo, procure por um número na embalagem, geralmente gravado no fundo. Os plásticos de números 3 e 7 são os que trazem maior risco de liberarem a substância após o contato com líquidos aquecidos ou detergentes fortes. Os de número 5 não apresentam riscos. Existem também produtos com o alerta "livre de BPA", o que significa que ali não há bisfenol-A.
O que o bisfenol-A causa no organismo?
"O bisfenol-A altera a função e o desenvolvimento dos órgãos sexuais, em especial da próstata e da mama, além de levar à puberdade precoce. Uma grande preocupação é que essa substância se acumule no cérebro, podendo causar distúrbios de comportamento e memória", explica Anthony Wong, pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas da USP. Experiências realizadas com ratos de laboratório mostram que os animais que têm contato com bisfenol-A alimentam-se menos e ficam mais irritáveis. "Isso pode explicar o aumento da incidência de crianças hiperativas e com déficit de atenção", afirma Wong.O pediatra alerta ainda que "esse problema é mais sério em fetos e em crianças de até os três anos porque o cérebro ainda está em desenvolvimento".
O uso do bisfenol-A é liberado em todo o mundo?
Não. Em 2008, o governo do Canadá a declarou como uma substância tóxica e, com isso, proibiu a venda de mamadeiras e chupetas que utilizassem esse material. Os Estados Unidos realizam atualmente pesquisas para saber se o bisfenol-A é realmente prejudicial.
Se os produtos foram liberados pela ANVISA, posso usar tranquilamente?
Sim. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) declara que a quantidade liberada no uso do bisfenol-A é de 0,6mg e não oferece riscos à saúde. "Apesar da liberação da ANVISA, indicamos que a mãe utilize acessórios livres da substância", afirma a pediatra Débora Passos.
Qual o jeito certo de higienizar mamadeiras e chupetas?
"O aquecimento de mamadeiras e vasilhames de plástico contendo BPA é responsável pela migração desta ao leite e aos alimentos. Portanto, as mamadeiras que contém esta substância não devem ser fervidas", explica Anthony Wong, pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas da USP. "Basta lavá-las com detergente suave ou de coco. Depois, deixar de molho no cloro por alguns minutos e enxaguar com água corrente", diz.
É melhor usar mamadeira de vidro do que de plástico?
Não necessariamente. Anthony Wong, pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas da USP, diz que a melhor alternativa é comprar acessórios de plástico livres de bisfenol-A. Para a pediatra Débora Passos, usar mamadeiras de vidro pode ser bastante prático porque elas são mais fáceis de lavar e podem ser fervidas. "Coloque o alimento na mamadeira de plástico apenas na hora de dar ao bebê - e lembre-se que o ideal é dar leite na temperatura ambiente", sugere.
































