Receba newsletters grátis!

Faça o cadastro e receba por e-mail informações sobre sua gravidez e filhos

  • Gravidez
  • 1º ano
  • 2º ano
  • 3º ano
  • 4º ano
  • 5º ano
  • 6º ano

Navegue pela linha do tempo do seu filho

Comportamento

Como responder às perguntas das crianças

Angela Senra Atualizado em 13.01.2012
Como responder às perguntas das crianças

Getty Images

Sem aviso prévio, seu filho começa a questionar tudo: “Como eu nasci?”, “O que é transar?”. Saiba como responder

E, muitas vezes, você não sabe o que ou como responder. Para ajudá-la nessa tarefa, conversamos com especialistas na área de educação e psicologia. Eles sugerem aqui algumas respostas apropriadas para as perguntas mais comuns dos pequenos

 

Quantas vezes você se surpreendeu com as perguntas de seu filho e ficou quase gaguejando, sem saber o que dizer? Realmente, há momentos em que fica difícil explicar a uma criança as complexidades da vida e do comportamento humano, mas sempre dá para encontrar uma resposta que satisfaça a curiosidade infantil sem causar traumas ao pequeno ou deixar o adulto incomodado. A primeira regra é sempre falar a verdade. Pode parecer complicado num primeiro momento. Afinal, como explicar ao filho de 5 anos, sem mentir, como ele entrou e saiu da sua barriga?

 

Para a psicóloga Anette Lewin, é fundamental, antes de desatar a falar, procurar saber o que a criança sabe sobre o tema. “Muitas vezes, basta uma resposta curta, sem detalhes, e ela se satisfaz. Se isso não acontecer, deve haver espaço para questionar mais”, diz. Também é importante usar uma linguagem acessível e responder a tudo. “A pergunta denuncia uma inquietação da criança e precisa ser esclarecida. Mesmo que seja um assunto difícil, como a morte, os pais têm de encontrar uma maneira de responder sem enganá-la, contornando o que acreditam que não pode ser dito. A verdade apazigua o espírito do pequeno”, explica a psicanalista infantil Anne Lise Scappaticci.

 

Para a psicóloga infantil Suzy Camacho, autora do livro Guia Prático dos Pais (ed. Paulinas), a naturalidade dos adultos no momento da conversa deixa a criança à vontade para fazer outras perguntas e matar a curiosidade. “Se os pais perceberem que não vão conseguir dar uma resposta na hora, recomendo que diga ao filho que precisam pensar e que voltarão a falar com ele mais tarde.”

 

A seguir reunimos as perguntas mais comuns – e também as mais inquietantes – feitas pelos pequenos e as repostas sugeridas pelos especialistas

 

1. Como eu nasci?

 

Toda criança pergunta isso e a melhor resposta continua sendo a clássica: o papai colocou uma sementinha na mamãe, que se encontrou com outra sementinha, e daí você cresceu dentro da minha barriga. Se ela quiser saber mais detalhes, você pode dizer que a semente do papai se chama espermatozoide e a da mamãe óvulo. “Se a curiosidade se estender, pode-se dizer que o pênis do papai entra na vagina da mamãe para depositar a sementinha. Mas sem fazer caras e bocas. Fale naturalmente”, diz Suzy.

 

2. Como eu saí da sua barriga?

 

No dia do seu nascimento, a mamãe foi para o hospital e o médico tirou você. Está vendo essa cicatriz? Foi por aqui que o doutor tirou você (se foi uma cesariana). Para o parto normal, você pode dizer que ela saiu pela sua vagina. É assim que todo mundo nasce.

 

3. O que é camisinha?

 

Para Suzy, a melhor saída nesse momento é dizer que é uma capinha que o papai usa para não ter bebês. “Geralmente, ela se contenta com isso, mas, se perguntar que capa é essa ou onde ele coloca, acho que se deve dizer que é uma capinha que o papai coloca no pênis para evitar bebês. E pode completar explicando que os filhos são planejados, como ela foi.”

 

4. O que é transar?

 

É um ato de amor entre duas pessoas que se amam. É quando transam que o papai e a mamãe fazem bebês.

 

5. O que é bicha, veado, sapatão?

 

Não são perguntas muito comuns até os 5 anos de idade, explica Anne Lise. “Por outro lado, quando a criança vê um homem com trejeitos femininos, costuma perguntar se é homem ou mulher.” Nessa hora, o melhor a fazer é explicar que existem pessoas que namoram outras do mesmo sexo, por exemplo, homem com homem e mulher com mulher, e algumas se comportam daquela maneira que a gente acha diferente, mas que é o jeito delas. E se as palavras “bicha, veado e sapatão” surgirem, é importante dizer que são maneiras desrespeitosas de chamar essas pessoas. As palavras certas, na verdade, são gay, homossexual e lésbica, mas a gente não sai por aí dizendo isso às pessoas, pois elas podem se ofender.

 

6. O que é pedófilo?

 

Parece estranho que uma criança pequena pergunte isso, mas, segundo Suzy, se ela assiste a telejornais e à programação adulta na tevê, a questão pode surgir graças à atualidade do tema, muito presente no noticiário e na ficção. Nessa hora, é importante descobrir onde ela ouviu a palavra e por que deseja saber. E dizer: “É um adulto que gosta de tocar as crianças quando elas estão sozinhas, longe dos pais. Se alguém ficar abraçando você demais longe do papai e da mamãe, me conte.”

 

7. Por que sou branca e meu irmão é moreno/negro, ou vice-versa?

 

Se o tom de pele dos pais for diferente, basta dizer que um puxou para o pai e o outro para a mãe. Caso seja uma criança adotada, com cor diferente da família, explique que ele é filho da barriga de outra mãe e por isso se parece mais com ela fisicamente.

 

8. Por que meu amigo é negro?

 

Os pais podem dizer o seguinte: “Você já percebeu que as pessoas são diferentes? Há negros, brancos, japoneses, gente baixa, alta, gorda, magra. Cada pessoa é de um jeito. Você é branco porque mamãe e papai são brancos. Ele é negro porque os pais dele são negros”.

 

9. Por que aquela pessoa é gorda?

 

Você pode explicar que as pessoas engordam quando comem muito ou têm alguma doença. E deixar claro que não se deve perguntar isso para a pessoa porque ela pode ficar chateada.

 

10. Por que estas crianças estão na rua?

 

Suzy recomenda explicar dentro do possível, sem mentir. “Há pais que não conseguem cuidar dos filhos como a mamãe e o papai e aí eles vêm para a rua.”

 

11. Por que meu amigo tem motorista e eu não?

 

Segundo Anette, a resposta deve ser curta. “Nada de discurso porque criança nessa fase não presta atenção por muito tempo. Quando ela começar a perceber as diferenças sociais, ainda que sutilmente, diga que alguns ganham mais dinheiro que os outros, mesmo que todos trabalhem, e que, pelo menos por enquanto, vocês não podem ter motorista. Quem sabe um dia?”

 

Para Anne Lise, muitas das perguntas de cunho social vêm à tona por causa das frustrações dos adultos, inconformados com sua situação. E, mais do que perguntar, diz que elas pedem o que os amiguinhos têm. “Nesse momento, cabe aos pais dizer que não têm condições financeiras de comprar o brinquedo ou dar a festa de aniversário no mesmo bufê badaladíssimo. Esse tipo de posicionamento ajuda a criança a perceber as diferenças e a superar as frustrações desde cedo.”

 

12. Por que tenho que colocar essa roupa para ir ao casamento se eu não gosto dela?

 

Se a criança estiver muito inconformada com a roupa, melhor escolher outra. “Mas vale a pena explicar que no mundo existem regras e que, para cada ocasião, usamos um tipo de roupa, que todo mundo vai estar mais ou menos parecido. No Carnaval, usamos fantasia, na praia sunga ou biquíni e, nos casamentos, uma roupa arrumadinha”, diz Anette.

 

13. Quando a gente vai morrer?

 

É uma resposta difícil, que pode dar certo nó na garganta, afinal, não temos o hábito cultural de pensarmos muito no assunto, mas é preciso dizer a verdade ou, pelo menos, parte dela. A sugestão de Anne Lise é: “Todos nós vamos morrer, mas não vai ser agora. Porém, se a criança estiver muito angustiada com a ideia, aconselho a dizer que isso só vai acontecer quando ela e você forem velhinhos. Todos sabemos que isso não é verdade, mas não podemos deixar uma criança em pânico dizendo que as pessoas podem morrer a qualquer hora e dia, sem aviso, não é?”

 

14. A vovó está velhinha. Ela vai morrer logo?

 

Segundo Anne Lise, é muito comum a criança perguntar isso aos pais e até para o próprio idoso, que está tentando lidar com essa questão tão difícil. “Adultos usam subterfúgios, a criança é direta. Se dissemos que as pessoas morrem quando ficam velhinhas, elas olham para o ancião e ligam uma coisa com a outra. O melhor é falar que todo mundo morre um dia e que, como ela está velhinha, deve ir mais cedo que nós, mas que não existe uma data certa e que você não sabe quando será, mas não é já.”

 

15. Onde está o papai, agora que morreu? Ou o avô, o tio, a mãe…

 

“A não ser para os adultos com uma fé religiosa inabalável, questões como essas não têm ponto final e vão estar sempre presentes. A resposta depende da sua crença”, diz Anette. Se você acredita que depois de morrermos vamos para o céu, diga isso. “A criança tem da morte uma noção simbolizada, então pode-se falar que a pessoa virou uma estrelinha ou está em uma nuvem para apaziguar seu coração”, afirma Anette. Embora seja natural dizer que a pessoa não voltará, a criança só vai se dar conta disso com o passar do tempo.

 

16. O que é Deus?

 

A resposta depende da sua crença e, num primeiro momento, a criança acredita no que os pais dizem. “Eu acho que se pode dizer que existem coisas para as quais não temos uma única resposta e Deus é uma delas. Cada religião o vê de uma maneira. Algumas pessoas acham que Ele existe e mora no céu, outras não acreditam nele. Eu acho … (e aí você diz o que pensa sobre Deus). Se não tem certeza nem é uma pessoa religiosa, uma saída pode ser dizer que Deus está em todos os lugares, que é a natureza, que é uma força invisível poderosa que nos protege e ajuda a viver”, diz Anette.

 

17. O que fizeram com Jesus?

 

“Eles ficam muito impressionados com a imagem de Cristo crucificado. É uma história universal que pode ser contada de forma simples. Os pais podem dizer que Jesus foi um homem muito bom, que viveu há muito tempo, só fazia o bem, mas que algumas pessoas más, que não acreditaram nele, o pregaram na cruz”, diz Anne Lise.

 

18. Por que quando seu(sua) namorado(a) está aqui eu não posso dormir com você?

 

Antes de mais nada, Anne Lise explica que os filhos não devem dormir com os pais. “A criança precisa ter seu quarto para que você e ela tenham privacidade. Mas, se isso é uma realidade, a mãe ou o pai devem explicar ao filho que ele não pode dormir com ela (ele) porque precisa ter seu espaço e não porque seu (sua) namorado(a) chegou, mas porque, assim como ele tem seus amiguinhos e suas brincadeiras de criança, você tem sua vida de gente grande e, na hora de dormir, cada um tem de ficar na sua cama.”

 

19. Cadê seu (sua) namorado(a), vocês brigaram?

 

“Não se tem de dar detalhes da briga, falar mal do outro, mas, se houve discussão e seu namorado ou namorada não aparece mais em casa, conte à criança que vocês estão separados e podem voltar, mas por enquanto estão pensando no que aconteceu, como você faz com ele quando apronta alguma arte”, diz Anne Lise.

 

20. Por que você está triste/chorando?

 

Diga a verdade de um jeito simples. “O trabalho não foi legal hoje, briguei com minha amiga, não estou ganhando o tanto de dinheiro que gostaria”, diz Anne Lise.

 

21. Por que você passou no farol vermelho se é proibido? (Altas horas da noite, você, com medo, fura o sinal.)

 

Aqui você precisa, segundo Anette, justificar e racionalizar o perigo, explicando que tinha duas saídas. “Eu deveria ter esperado, mas, como era tarde, o lugar estava escuro e a cidade é muito perigosa, eu resolvi passar quando não vinha nenhum carro no sentido contrário. Mas o que eu fiz não é o correto.”

 

22. Por que você mandou dizer que não está, se está?

 

Porque estou cansado, tenho outras coisas para fazer, não quero falar com ninguém e seu eu disser que estou, mas não quero falar com ela, a pessoa vai ficar chateada. “Os pais devem explicar que essa não é uma atitude bonita, mas nem sempre você está disponível para tudo. É uma maneira de humanizar o pai e a mãe, que também cometem erros”, explica Anne Lise.

 

23. Por que você não gosta de tal pessoa? (Você, sem querer, critica uma pessoa que a criança também conhece.)

 

Segundo Anne Lise, não adianta usar subterfúgios com crianças menor de 5 anos porque nesa fase ela não entende nuances – tudo é ou não é, por isso é melhor explicar. “Se você, num momento de raiva, falou mal da empregada ou de um parente, diga que foi sem pensar, que estava nervosa porque a pessoa fez uma coisa que você não gostou, mas que já passou.”

 

24. Por que aquela menina foi jogada pela janela?

 

Segundo Anne Lise, as crianças devem ser protegidas do noticiário policial. Se ficarem sabendo de tragédias como a do caso Isabella, os pais devem se certificar de que elas estão protegidas, que isso jamais acontecerá com elas. “Nessa fase, elas acreditam que os pais sempre vão estar ao seu lado e precisam disso.”

 

25. Como explicar um palavrão?

 

Geralmente, ela não tem ideia do significado do palavrão, mas sabe que é usado principalmente em momentos de raiva. “Os pais devem dizer que é algo que não pode ser dito em público porque geralmente é uma palavra feia ligada aos órgãos sexuais, que ofende e humilha as pessoas”, diz Suzy.

 


Recomendamos Para Você

Rede MdeMulher
Publicidade