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Comportamento

Como educar um filho único

Angela Senra Atualizado em 15.12.2011
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Getty Images

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2009, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as famílias estão cada vez menores

A Síntese dos Indicadores Sociais mostra que a taxa de fecundidade brasileira hoje é de 1,94 filho por mulher. Ou seja, boa parte das famílias está, cada vez mais, optando por ter apenas um filho. Isso seria sinônimo de uma geração de pequenos egoístas? Para os especialistas em comportamento humano, a crença de que uma pessoa sem irmãos tem mais dificuldade de se relacionar não é lá bem verdade. E depende – e muito – da maneira como os pais educam o pequeno. Confira aqui os conselhos dos educadores para que a criança construa relacionamentos saudáveis

 

Não exceda nos cuidados

 

Único significa sem precedente ou sucessor, raro, incomum, excepcional, exclusivo, incomparável, superior. E esses adjetivos podem atrapalhar a vida da criança. Por isso, é preciso que os pais saibam como lidar com ela, sem exceder nos cuidados, acredita a psicopedagoga Maria Irene Maluf. “A tendência à superproteção é comum nesses casos, mas é importante lembrar que, quando se protege demais os filhos, os tornamos frágeis. O melhor caminho é orientar, mostrar os caminhos, deixar que eles façam suas escolhas e só interferir quando for realmente necessário.”

 

Evite que ele passe muito tempo com os adultos

 

Aprender a conviver com outras pessoas é um desafio para toda criança, mesmo as que têm irmãos. Para o filho único, o relacionamento com outros pequenos acontece na escola ou no condomínio onde mora, por isso a dica é matriculá-lo bem cedo na escolinha para evitar que passe muito tempo somente com os adultos. Agora, mesmo assim, ele pode ser quietinho, na dele, sem nenhuma ligação com o fato de ser a única criança da casa. “A diferença é que o filho extrovertido fará contatos frequentes com outras pessoas, enquanto o introvertido vai gostar de ficar mais sozinho”, diz a psicóloga Anette Lewin.

 

Para estimular as crianças mais tímidas, os pais podem promover encontros com os amiguinhos do filho, convidando a turma para brincar em atividades em grupo.

 

Dê atenção na medida certa

 

A atenção excessiva sobre o filho único é uma via de mão dupla. Se por um lado pode dar a sensação de que ele é o centro do mundo, por outro o ajuda a ficar mais confiante. “Por ser reconhecido em tudo que faz e estar seguro de seu espaço dentro de casa, acaba sendo bastante determinado e usa isso para ir à luta na vida, nos estudos e futuramente no trabalho”, acredita Maria Irene.

 

Para a psicanalista Vera Iaconelli, coordenadora do Instituto Gerar, a autoestima em alta tem mais a ver com a qualidade da relação que os pais desenvolvem com o filho, único ou não. “Existem pais de filhos únicos que não dão a menor atenção a eles. Ser pai e mãe exige disponibilidade. É um projeto de vida para o qual muitos não estão preparados”, diz ela.

 

Não faça todas as vontades do pequeno

 

Complexo de rei. Esse é um dos mitos mais temidos do filho único. Mas cabe aos pais não deixar que a criança reine dentro de casa e em sua vida. “Quem manda no filho são os pais, e não o contrário. Claro que é preciso ouvir o que ele diz, respeitar suas vontades e seus sentimentos, mas fazer e dar tudo o que ele quer, na hora que ele deseja, ao contrário de fazê-lo feliz, vai funcionar como desestimulante, pois ele não precisará lutar por nada”, diz Anette.

 

As dificuldades no aprendizado ou no comportamento também não devem ser atribuídas ao fato de a criança não ter irmãos. “Não existe essa relação. Acho até que, se todo filho fosse criado como único, teríamos uma sociedade com pessoas mais ajustadas”, diz Maria Irene.

 

O mais importante não é o quanto se dá, mas como se dá

 

Se o medo é que ele não saiba dividir porque não tem irmãos, a psicóloga aconselha os pais a observarem seus próprios comportamentos. “Se eles são competitivos, vão estimular o mesmo no filho.”

 

A criança, sozinha ou em grupo, precisa de estímulo e orientação. Segundo Anette, o mais importante não é o quanto se dá, mas como se dá. “Muitas vezes, reclamamos que ela não fica com um brinquedo nem durante cinco minutos e logo quer outro. Isso pode acontecer porque os adultos não estão com paciência para ensiná-la a brincar”, diz Anette. Que tal da próxima vez parar para brincar junto ou propor novas maneiras de interagir com aquele jogo ou objeto?

 

Fale sempre a verdade

 

Se ele pedir um irmãozinho, é importante dizer que ele não virá. “A criança tem de saber que não terá um irmãozinho e que não é escolha dela, mas uma decisão dos pais”, diz Anette.

 

Mesmo que o pequeno insista, jamais caia na armadilha de usar esse argumento para engravidar. “Um filho depende exclusivamente do desejo dos pais”, afirma Vera.

 

Apesar da experiência de ter irmãos ser boa, não é fundamental para o desenvolvimento de um ser humano, acredita Vera. “A falta de irmão não tem caráter deformador da personalidade. Além disso, na vida adulta, muitos desenvolvem relacionamentos mais fortes com amigos, às vezes muito mais intensos que com os irmãos.”

 

Algumas pessoas também usam o argumento de que um irmão pode ajudar o outro quando os pais estiverem velhos, mas essa é uma expectativa dos pais que deve ficar com eles. “Não sobrecarregue a criança com responsabilidades desse tipo. Quando adulto, ela realmente pode ficar mais assoberbada por causa disso, mas essa não deve ser a motivação para ter filhos, até porque não dá para saber como eles se comportarão no futuro”, diz a psicanalista.


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