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Educação

Como dizer não

Ligia Menezes Atualizado em 16.12.2011
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Getty Images

Como dizer "não" ao seu filho para que ele assimile regras e respeite limites

Bebês são curiosos, querem mexer em tudo e muitas vezes se colocam em perigo, principalmente quando aprendem a dar os primeiros passos. Imagine seu pequeno mexendo no fogão, na tomada, nos fios... Dá até arrepios, não? E, por mais que você o repreenda, ele volta a tocar onde não deve. Por isso, é preciso fazê-lo compreender a ordem “não pode”. Nesse ensinamento, sua linguagem corporal e tom de voz são extremamente importantes. Veja como acertar, com as dicas da Supernanny brasileira, a Cris Poli, e de outros especialistas.

 

Desde o nascimento, tudo que ocorre à volta do bebê é registrado como aprendizado. Mas regras e disciplina só começam a ser entendidas e interpretadas depois dos 2 anos de idade. “Até essa faixa etária, os pais precisam ter muita paciência e repetir as ordens diversas vezes, até que a criança incorpore o conceito. Não é fácil, leva tempo”, explica a educadora Cris Poli, a Supernanny brasileira, da rede de televisão SBT.

 

De acordo com Jo Frost, a Supernanny americana e autora do livro Superbabá, da Editora Seoman, a partir dos 2 anos a criança já é capaz de compreender, mas sua memória é limitada. Por isso, a repetição ainda é necessária. “Nervosismo não resolve em nada o mau comportamento. Claro que é preciso definir limites, mas o segredo é a maneira de falar”, garante. Entenda a evolução dos pequenos na assimilação das regras e saiba como discipliná-los corretamente:

 

O aprendizado em cada fase

 

Até 2 anos

 

Antes dessa idade, é muito difícil estabelecer uma disciplina, mas você pode e deve chamar a atenção do bebê sobre as coisas que ele deve ou não fazer. “Use um tom de voz firme e baixo para dizer ‘não’, acompanhado de uma breve explicação, como ‘isto está quente’”, indica Jo Frost, em seu livro.

 

De 2 a 3 anos

 

A criança já entende o “não”, porém sua capacidade de reter informações é restrita. Por isso, você precisará reforçá-las. Nessa idade, já é possível aplicar as regras de disciplina, que explicaremos adiante.

 

De 3 a 5 anos

 

É a fase da teimosia porque os pequenos estão descobrindo o mundo e querem mexer em tudo. Para lidar com esse momento, você deve ter em mente duas coisas: não mude suas regras por causa do seu filho. Sempre que o pegar no pulo fazendo algo inadequado, corrija na hora. Não espere para conversar depois, pois ele não conseguirá associar a atitude errada à sua queixa.

 

Acima de 5 anos

 

Você precisará ter jogo de cintura porque a criança, já grandinha, passa a compreender perfeitamente as ordens dos pais e tende a testar seus limites, desobedecendo mesmo. O intuito é chamar sua atenção. Aplique as regras de disciplina.

 

Tudo tem limite

 

E é preciso que você os defina desde cedo. A criança deve entender até onde pode ir.

 

Não pode mexer nas coisas...

 

O “não pode” deve existir desde a primeira infância, quando o bebê toca um objeto que outra pessoa segura, por exemplo. Aos poucos, ele associará atitudes erradas a mudanças no seu tom de voz e, naturalmente, passará a evitar comportamentos que provoquem essa alteração.

 

Basta dizer “não pode mexer” e afastar a mão da criança. “A ordem deve ser firme, mas não agressiva”, explica a psicóloga Maria Teresa Reginato, de Atibaia, no interior paulista. À medida que ela crescer, é importante que você esclareça o motivo da bronca, empregando expressões como: porque queima, porque dói e porque quebra. “Ensinar em casa evita que seu filho reproduza os maus modos na casa dos outros”, avisa Cris.

 

Não pode morder, bater, empurrar, puxar o rabo do cachorro...

 

Toda criança passa pela fase de morder, empurrar e provocar os animais. É necessário orientá-la também a respeito dessa conduta. “Abaixe-se, para ficar na mesma altura que a criança, coloque as mãos em seus ombros e olhe fixamente nos olhos enquanto fala ‘não pode, assim você machuca”, ensina Maria Teresa. Não adianta gritar de longe. A voz deve ser baixa, porém segura.

 

Reclamação na escola

 

A agenda da escola estampa uma bronca da professora? Leia a queixa na frente da criança e pergunte o que aconteceu. Depois de entender o motivo que a levou a bater no coleguinha, por exemplo, discipline-a, explicando que essa reação não é adequada.

 

Regras de disciplina

 

Condicione-se a empregar, sempre, um tom de voz de autoridade e outro de aprovação. Se essa estratégia falhar, o jeito é apelar, definindo um cantinho para o castigo, onde o pequeno deverá refletir sobre o mau comportamento.

 

Voz da autoridade

 

Recorra a ela sempre que a criança fizer algo errado:

 

1. Aproxime-se e não grite do outro lado da sala. Seu tom de voz deve ser baixo e firme.

 

2. Abaixe-se à altura dela, para não intimidá-la.

 

3. Olhe nos olhos. Dessa maneira, ela não conseguirá lhe ignorar.

 

4. Não ranja os dentes nem faça ameaças.

 

5. Caso ela tente desviar o olhar, diga “olhe para mim”. Segure-a –sem machucar, obviamente – pelos braços para que ela não saia.

 

6. Deixe claro que você não está brincando.

 

7. Peça sempre “por favor” e explique da maneira mais clara possível que ela não pode repetir o erro. Por exemplo: “Bater nos outros é inaceitável. Não quero mais que você faça isso, por favor”.

 

Dicas:

 

- Não negocie. Fale e peça, sem gritar.

 

- Não faça promessas nem ofereça opções a uma criança pequena: “Você poderá comer o biscoito se comer o arroz com feijão”. Frases como essa só farão com que o pequeno tente negociar, provocando desgaste.

 

- Se a criança gritar com você, não responda com outro berro.

 

Voz da aprovação

 

Diante de um comportamento exemplar, o reconhecimento é igualmente importante:

 

1. Para elogiar, a voz deve ser alta, aguda e animada.

 

2. Vale bater palmas e até soltar gritinhos.

 

Castigo educa

 

“Esse método ensina a criança a refletir sobre o que havia sido combinado com os pais, interrompe o mau comportamento e induz o adequado. Acredito nele porque funciona”, ressalta Cris. Então, quando a voz da autoridade não funcionar...

 

1. Mande-o para o cantinho da disciplina, sempre justificando a razão. “Deixe-o lá por um tempo correspondente a um minuto por ano de idade”, aconselha Cris.

 

2. Caso ele saia, coloque-o lá novamente e esclareça novamente o motivo.

 

3. Após cumprir o castigo, oriente a criança a pedir desculpas.

 

4. Assim que ela se desculpar, dê beijos e abraços.

 

5. Esqueça o assunto e aja como se nada tivesse acontecido.

 

A técnica do envolvimento

 

As crianças querem atenção o tempo todo. Quando você não dá, elas tendem a aprontar. É aí que você pode lançar mão de um truque: a técnica do envolvimento, que nada mais é do que incluir seu filho nas suas atividades, como as tarefas domésticas. Elas são interessantes para os pequenos. Ajudar a dobrar um lençol e usar um miniespanador ou uma minivassoura são maneiras de participarem e se sentirem úteis.

 

Pegue leve

 

Sabe quando você fala mil vezes para seu filho não mexer naquele vaso que fica em cima da mesa porque ele pode quebrar e não adianta? Se a peça finalmente espatifar, certamente ele começará a chorar e se mostrará arrependido.

 

Caso isso ocorra, não aplique nenhuma punição. Se a criança pedir desculpas sinceras, significa que já aprendeu a lição. A única coisa que você deve fazer é explicar por que isso aconteceu, lembrá-lo das regras e pronto. Sem broncas!

 

Persista, pois você vai conseguir!

 

Educar uma criança não é fácil, requer muita paciência, determinação e dedicação. Principalmente no período da primeira infância – de 0 a 7 anos – em que a personalidade se consolida É importante passar um tempo diário com seu filho. “Converse com ele, explique os motivos das proibições”, recomenda Maria Teresa. Por fim, o mais importante é ter paciência. “O segredo é tentar sempre evoluir nesse quesito, acompanhando o crescimento e o amadurecimento dos filhos, com dedicação e amor, muito amor”, finaliza Cris.


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