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Consumo

Cia das Mães: compras coletivas

Deborah Trevizan e Ana Holanda Atualizado em 02.12.2011

Um lugar onde a mamãe pode encontrar de objetos de decoração para o quarto do bebê a lingeries

 

Assim é o site Cia das mães, que nasceu do desejo e da vontade de três mulheres: Daniela Buono, jornalista e roteirista, Roberta Marcincowski, violista, e Kátia Raele, advogada especializada em direito industrial. Em comum, elas são mães de crianças pequenas e não concebiam ficar longe da prole no horário comercial. Por isso, elas resolveram, cada uma a seu modo, se dedicar à maternidade e dar um tempo às suas carreiras formais. E, de conversa em conversa e unindo sua experiência profissional com a de mãe, formaram o Cia das mães, que segue o movimento mundial das mompreneurs – “mom”, mãe em inglês, e “entrepreneurs”, empreendedor. Ao pé da letra, o trio segue a linha das mães empreendedoras.

No Cia das mães, são vendidas atualmente mais de 55 marcas de produtos feitos por mães. Então, lá dá para encontrar aquela mochila superdiferente da marca Forrozinho, de Patrícia Fagundes, mãe de Pedro e de Arthur, que pediu demissão depois que os filhos nasceram. Ou os vestidos graciosos da grife Dona Chita, que pertence a Claudia Gil, mãe de Nuna. Claudia se dedicou à confecção infantil depois que a maternidade bateu em sua porta. O mais bacana, aliás, é que, ao navegar pelo site e ao clicar na marca dos produtos, você encontra o perfil e a história de cada uma das mães que formam o Cia.

Agora, Daniela, Roberta e Kátia estão dando um passo ainda maior. Elas acabam de lançar o primeiro serviço de compras coletivas voltado para mães, pais e crianças. Todas as semanas, será possível encontrar escolas de idiomas para os pequenos, aluguel de brinquedos, ioga para gestantes e outros bens de consumo com até 80% de desconto. Quer conhecer mais dessa história? O site do Bebê conversou com essas supermães.

 

O que motivou a Cia. das Mães?

Daniela Buono: Quando tive minha segunda filha e a primeira estava com 3 anos, assumi um trabalho temporário muito intenso. Fiquei três meses fora de casa e ela tinha apenas 6 meses de idade. Quase parei de amamentar, mas persisti e consegui ir adiante. Quando acabou o trabalho, eu estava exausta e deprimida. Conversei com meu marido, que me apoiou na ideia de parar de trabalhar para pesquisar e montar um plano de negócios, pois sabia que a única alternativa para ter mais flexibilidade e autonomia sobre meus horários seria empreendendo. Pesquisei durante três meses e, depois de ter a concepção do negócio, saí em busca de parceiras. Encontrei a Roberta e a Kátia, que são concunhadas e mães. E elas apostaram na ideia de corpo e alma.

Kátia Raele: Eu resolvi empreender para ter a possibilidade de continuar, durante mais um período, além daquele que eu havia planejado, junto das minhas filhas. A Cia. das Mães é uma ideia brilhante, que a Dani Buono teve, e eu vi nesse projeto a possibilidade de me realizar profissionalmente sem perder a chance de continuar me dedicando às minhas filhas.

Roberta Marcinkowski: A Cia. das Mães foi inspirada por um movimento natural que acompanhamos nas listas de discussão de que fazíamos parte. Apareciam muitas mães que tinham começado a produzir alguma coisa depois de se tornarem mães. E também muitas delas repassavam coisas dos filhos e davam dicas de coisas legais para fazer com as crianças. A Daniela teve a ideia de reunir esse conteúdo todo num mesmo local e fazer esse movimento ecoar em nível nacional – e internacional também, quem sabe? Ela começou a pesquisar e descobriu que já existe um movimento semelhante bem forte nos Estados Unidos e na Europa e que as mães empreendedoras já fazem movimentar a economia nesses países.

 

Vocês acham que esse é um caminho natural da maternidade?

Daniela Buono: Existe uma pesquisa britânica que nos leva a acreditar que o empreendedorismo é potencializado com os hormônios da gravidez e eu tendo a concordar porque senti muito isso. Já passei horas e mais horas amamentando e arquitetando coisas de trabalho. Fiquei muito mais disposta, realista, multitarefa e criativa depois de ser mãe.

Kátia Raele: Muitas mães sentem a necessidade quase imperiosa de estarem junto de seus filhos durante a primeira infância, principalmente quando querem amamentá-los. Eu acho que há um componente natural nisso, mas que a sociedade moderna tenta de todos os modos encobrir e dar pouca importância. Há um custo social a ser pago para que as mães economicamente produtivas fiquem juntas de seus filhos, mas há também um ganho social muito importante, que a nossa sociedade deveria querer cada vez mais experimentar.

Roberta Marcinkowski: Acho que a maternidade desenvolve talentos desconhecidos e olhares inusitados.

 

Há um perfil da mãe que se lança no empreendedorismo com o objetivo de estar mais perto de seus filhos?

Daniela Buono: As mães empreendedoras são as mulheres que sofrem na volta ao trabalho depois dos 4 meses de vida do filho. Adoram trabalhar, mas a carga emocional é muito grande, e isso acaba atrapalhando o trabalho. São também mães de mais de 30 anos, cuja experiência profissional, em qualquer que seja a área, já lhes dá a segurança para enfrentar os desafios de começar um novo negócio. São mulheres com um bom repertório cultural e maturidade emocional. Acho que são muito motivadas pela maternidade também porque o nascimento de um filho traz muita energia nova. A maternidade nos renova e faz aflorar desejos e habilidades antes escondidos por motivos diversos. A gente fica pilhada, e dá vontade de fazer tudo aquilo que a gente sempre quis e nunca teve tempo ou coragem para fazer. É demais!

Kátia Raele: Eu não sei se é uma questão de perfil ou oportunidade. Eu me inclino mais a pensar que é oportunidade: unir toda a transformação que a maternidade traz com alguma qualidade ou dom desenvolvidos durante a vida com o suporte financeiro, próprio ou de terceiros, que é necessário para empreender. Eu acho que a semente do empreendedorismo normalmente está com as pessoas criativas e que a maternidade pode ser o empurrão final para a mulher que já pretendia ou gostaria de empreender.

Roberta Marcinkowski: A maioria das mães que vende no nosso site está exatamente nesse perfil. Elas tiveram ideias, mas o que as moveu foi uma vontade grande de estar presente na vida dos filhos.

 

A maternidade possibilita uma abordagem mais ampla dos negócios?

Daniela Buono: Acho que contribui muito para a visão geral do negócio porque é preciso enxergar o todo para administrar bem cada parte, assim como fazemos com os filhos. Costumamos brincar que a empresa é sempre um segundo ou terceiro filho, exige a mesma dedicação, paciência, amor e cuidado que as crianças e também demora para crescer, mas, depois que cresce, a gente olha para trás e pensa: nossa, como passou rápido.

Kátia Raele: É notório que a maternidade traz várias habilidades, muitas delas desconhecidas pela mulher. Eu acredito que ser mãe é uma qualidade importante no mundo dos negócios porque torna a mulher realizadora, dedicada, sensível e consciente das oportunidades e mais forte frente aos revezes naturais do empreendedorismo.

Roberta Marcinkowski: A maternidade muda o olhar sobre a vida como um todo e, é claro, os negócios estão incluídos também.

 

Qual o conselho que vocês dariam para uma mãe que está pensando em mudar o foco profissional por causa da maternidade?

Daniela Buono: O mais importante é ter apoio do marido ou da família porque fazer um negócio dar certo não é fácil e demora. Se depois de seis meses, o marido começar a pressionar para ver o dinheiro entrando, a mãe empreendedora vai se sentir muito mal. A fase inicial de uma empresa, onde se costuma investir sem obter nenhum retorno, dura pelo menos dois anos, e sendo uma empresa de uma mãe vai demorar mais, certamente porque ela está se dividindo entre empresa e filhos o tempo todo. Tudo é dividido igualmente em dois ou três. Outra coisa importante é pesquisar e se informar não só sobre negócios, mas sobre tudo. E nesse sentido a melhor amiga de uma mãe empreendedora é a internet. Sem ela, nada disso seria possível ou conquistável.

Kátia Raele: De que há um caminho, sim, embora não seja um caminho fácil. Então, siga em frente, mas com planejamento, empenho e estudo da área onde se quer atuar.

Roberta Marcinkowski: Mãos à obra e bem-vinda!

 

 

 

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