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Saúde

Apendicite infantil

Angelo Massaine Atualizado em 24.01.2012
Apendicite infantil
Getty Images

Na criança, o problema confunde até os pediatras. Por isso, uma equipe médica mapeou as pistas para acertar no diagnóstico, o que faz a diferença para afastar complicações

 

Em busca do baú amaldiçoado que carrega o problema, os exploradores, quer dizer, os pediatras deparam com pistas por vezes imprecisas. Ainda mais se o mapa em questão retrata o corpo de uma criança que ainda não sabe verbalizar o que sente. A dificuldade dessa caçada não é localizar o apêndice — isso os especialistas conhecem de cor —, mas saber se ele é de fato a fonte das dores.

 

“A apendicite é a doença das mil caras”, define o cirurgião pediátrico Ricardo Frank da Rocha, de São Paulo. “Por mais que nós acreditemos conhecê-la, suas manifestações chegam a nos surpreender”, conta.

 

Não por acaso, uma equipe do Johns Hopkins Children’s Center, nos Estados Unidos, se empenhou em uma extensa revisão de trabalhos sobre o assunto e esse estudo só foi concluído há poucas semanas.

 

Como o tratamento para a encrenca consiste na retirada cirúrgica do apêndice, os autores foram atrás de um consenso sobre os casos que pedem a operação de emergência e aqueles que permitem um tempo maior de observação até se chegar ao diagnóstico. “Nós queremos reduzir o número de cirurgias desnecessárias”, resume o professor de pediatria David Bundy, que liderou esse esforço em prol de caminhos certeiros.

 

Causa e diagnóstico da apendicite

A apendicite surge quando esse pequeno órgão, localizado perto do intestino, fica obstruído por um corpo estranho — pequenas porções de fezes, um parasita ou até uma semente de fruta. Daí a secreção produzida por sua mucosa fica presa e isso favorece a proliferação de bactérias.

 

“Entre 30% e 35% das apendicites são causadas por fecalitos, corpos fecais endurecidos que penetram o apêndice”, conta Mauro Toporovski, presidente do Departamento de Gastroenterologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Esse é o ambiente perfeito para que os micróbios procriem e desencadeiem a infecção.

 

“No início os sintomas são bastante inespecíficos”, diz o gastroenterologista pediátrico Marcos Jiro Ozaki. E, para piorar, lembra Bundy, a criança muitas vezes é incapaz de explicar o que sente tão bem quanto o adulto. Os médicos, então, podem ficar perdidos porque os sintomas variam à beça. “Às vezes, por causa da posição da ponta do apêndice inflamado, a suspeita recai sobre problemas de bexiga ou vesícula”, exemplifica Frank da Rocha.

 

Embora a apendicite seja mais comum na faixa dos 15 aos 35 anos, são as crianças com menos de 4 que correm maior risco de complicações. A doença se desenvolve rapidamente, entre 48 e 72 horas.

 

Se o diagnóstico for tardio, as chances de ocorrer a ruptura do apêndice se multiplicam. E é aí que mora o perigo. Quando o apêndice inflamado estoura, pus e fezes se espalham pelo peritônio, a membrana que reveste os órgãos do abdômen. A infecção se dissemina e, se as bactérias caem na corrente sangüínea, o corpo vira refém de uma infecção generalizada. Sim, quando não tratada, a apendicite pode matar.

 

Para descobrir se o apêndice é responsável pela desordem no organismo os médicos se valem em primeiro lugar do exame clínico. “É fundamental conversar com a criança e com os responsáveis para conhecer a história do paciente”, ressalta Ricardo Frank da Rocha.

 

“Geralmente, ao apalpar a região mais baixa à direita do abdômen, ela sente uma dor mais intensa”, conta Marcos Jiro Ozaki. Para completar a investigação, o especialista solicita exames como o hemograma, capaz de acusar um alto número de glóbulos brancos — células de defesa que, nas alturas, indicam uma infecção —, além de exames de imagem, como a radiografia, o ultra-som ou a tomografia.

 


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