Falta de vitamina B12 na gravidez predispõe diabetes nas crianças

Pesquisadores descobriram que o consumo reduzido desse nutriente pode aumentar o surgimento de doenças metabólicas nos pequenos.

Praticar exercícios físicos, fazer o acompanhamento no pré-natal, manter a calma e, claro, ter uma alimentação equilibrada estão entre as principais recomendações para uma gravidez saudável. A ingestão de nutrientes – como cálcio, vitamina C e D, ácido fólico, zinco e ferro – durante os nove meses é essencial para o bom desenvolvimento do bebê e a deficiência de algumas dessas substâncias pode trazer prejuízos tanto a curto prazo, ainda na gestação, quanto a longo prazo, já na vida adulta da criança.

Uma vitamina que tem sido objeto de investigação – e de preocupação entre os cientistas – é a B12, encontrada principalmente em alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite e seus derivados. No início do mês de novembro de 2016, uma pesquisa da Universidade de Warwick, do Reino Unido, exibida na Conferência Anual de Endocrinologia, ressaltou a importância do consumo desse nutriente – que auxilia na função neurológica, na formação dos glóbulos vermelhos e na síntese do DNA – pelas gestantes. Os estudiosos descobriram que a baixa ingestão de B12 na gravidez pode acarretar diversos problemas para as crianças, entre eles o maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e outras doenças metabólicas.

Trabalhos anteriores já mostraram que a carência de vitamina B12 pode aumentar o IMC (Índice de Massa Corporal) das futuras mamães, elevando as chances dos bebês nascerem com baixo peso e colesterol alto. Completando esses dados, o estudo feito pelos pesquisadores de Warwick apontou que a falta desse nutriente está associada a alterações dos níveis de leptina – hormônio produzido pelas células de gordura responsável por nos “avisar” quando estamos saciados – no organismo do pequeno, o que pode levar a um crescimento da resistência à insulina e, consequentemente, ao risco da criança ter diabetes tipo 2 mais tarde.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas avaliaram 91 amostras de sangue de mães e filhos para verificar a quantidade de vitamina B12. Eles também analisaram 42 amostras de tecido adiposo da mãe e do recém-nascido e 83 do tecido placentário. “O ambiente nutricional fornecido pela mãe pode programar permanentemente a saúde do bebê. Nós sabemos que as crianças que nasceram de mães subnutridas têm maior risco de desenvolver problemas de saúde e também vemos que a deficiência materna de vitamina B12 pode afetar o metabolismo das gorduras e contribuir para esse risco. Por isso, nós decidimos investigar a leptina, o hormônio da célula adiposa”, afirmou Ponusammy Saravanan, principal autor da pesquisa da Universidade do Reino Unido.

Ainda não se sabe ao certo porque a deficiência de B12 aumenta os níveis de leptina no organismo do bebê e mais estudos são necessários para explicar melhor a questão. A partir daí, os médicos poderão discutir se as dosagens recomendadas desse nutriente – que hoje é de 2,6 microgramas durante a gestação e de 2,8 microgramas para mulheres que estão amamentando – devem ser revisadas.

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