Por que as mães criticam tanto umas às outras?

Entenda o que leva um universo que deveria inspirar sororidade e empatia a ser cercado por reprovações e comentários negativos.

Certamente, você já ouviu dizer que o que é certo para um, não necessariamente será certo para outro. As escolhas que uma pessoa faz correspondem ao que ela acredita, ao que vai se encaixar à realidade dela, às suas convicções e com as mães, claro, isso não é diferente. Cada uma sabe o porquê de suas decisões: o tipo de parto, a duração da amamentação, o método de educação, as formas de disciplinar… E não há uma cartilha a ser seguida, um manual que dite o que é correto e o que é errado. O certo é aquilo que faz sentido para você e a para a sua família. Mas se sabemos disso e entendemos tudo na teoria, por que criticamos tanto quando nos deparamos com escolhas diferentes das nossas?

Esse é um comportamento frequente nos seres humanos. As pessoas gostam muito de julgar e não conseguem se colocar no lugar do outro, diz a psicóloga perinatal Rafaela Almeida Schiavo. Mas, afinal, se a maternidade deveria estimular uma cumplicidade, uma rede de empatia já que nada melhor do que uma mãe para entender as angústias e aflições de outra por que o que vemos e sentimos, muitas vezes, são apenas olhares duros de reprovação? Talvez isso seja resultado daquela eterna busca pela perfeição que tanto existe quando se cria outro ser humano: ao apontar o dedo para o comportamento de outra mãe, julgando-a negativamente, forjamos a sensação de que, se ela está errada, eu estou certa.

Acredito que não exista uma única explicação para esse tipo de comportamento. Pode ser que apontar os erros de outra mãe seja uma forma de se ver como correta; pode ser, também, que aquela mulher aprendeu a fazer as coisas apenas de uma maneira e que entende aquele como um único jeito certo; pode ser, ainda, que exista uma forte ideologia por trás dos seus pensamentos e ações, que faz com que todos que fujam a esse padrão ideológico sejam criticados, entre várias outras explicações que são bem subjetivas a cada pessoa, reflete a especialista.

Se palpite fosse bom…

Sabe aquela velha frase que diz eu só quero ajudar? Pois é, nem sempre ela é tão verdadeira assim. Talvez, a primeira intenção até seja realmente boa vou dar àquela mãe a minha opinião de que o que ela está fazendo não é bom para a criança. O problema é que esse tipo de crítica não vem acompanhada de uma reflexão e de uma percepção de que não é porque não concordamos com uma escolha que ela é errada e, nesse sentido, talvez esse tipo de conselho seja dispensável. Algumas pessoas confundem ajudar os outros com criticar e não percebem que as pessoas apresentam valores diferentes e que, desde que não prejudique a si ou ao outro, cada um é livre para agir como quiser, ressalta Rafaela.

Um conselho que poderia dar é: vá procurar conhecimento, instruir-se a respeito do assunto. Por exemplo, a ciência já está consolidada no que diz respeito à importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Da mesma forma, estudos mostram que, entre as práticas parentais, os pais democráticos têm mais sucesso na criação dos filhos do que os permissivos ou autoritários. Ou seja, a própria ciência já responde a muitas questões, então é importante pesquisar e se informar antes de criticar o comportamento de outra mãe, alerta a psicóloga.

Longe da perfeição

Desde o momento em que se descobre grávida, uma série de cobranças já começam a rondar a futura mãe por parte dos outros, parentes, amigos e até simples conhecidos, que muitas vezes se sentem no direito de dizer o que deve ser feito e de que maneira; e por parte da própria mulher, educada numa sociedade que tanto relaciona maternidade à busca por perfeição. Nenhuma mãe é perfeita e ainda bem, pois seres humanos são passíveis de erros. Penso que é importante que cada um cuide de sua própria vida, faça o melhor que puder e valorize cada minuto, ajudando o próximo sempre que puder, respeitando as ideias do outro e valorizando o ser humano, aconselha Rafaela.

Em relação aos comentários negativos que tanto se escuta quando se é mãe, a psicóloga recomenda ponderar: posso aproveitar isso de forma positiva ou não? “A ideia é ouvir e refletir se o que o outro falou faz sentido. Se fizer, que bom! Assim você pode melhorar ou mudar aquilo que você também julgou como errado. E não tem problema errar, ainda mais quando se erra tentando acertar. Agora, se o comentário negativo não for construtivo, se ao refletir a mãe ainda pensa que está fazendo da melhor forma que pode, não tem porque se sentir mal. É preciso sempre lembrar que as pessoas são diferentes e, portanto, pensam de maneiras diferentes”, finaliza a psicóloga.

 

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