Mãe é alvo de racismo e acusada de sequestrar a própria filha

"Ela começou a gritar dizendo que eu estava roubando a filha dela. Fiquei apavorada, sem reação", contou Jamille. Saiba mais sobre o caso.

Depois de passar um final de semana agradável ao lado do marido e da filha Manuela, de um ano e cinco meses, Jamille Azevedo teve uma volta turbulenta para casa. Em uma das paradas que o ônibus que saiu de São Paulo com destino a Belo Horizonte fez, a universitária que mora em Betim, Minas Gerais, foi alvo de ataques racistas e chegou a ser acusada de sequestrar a sua própria criança.

Revoltada, ela compartilhou o caso nas redes sociais e nesta quinta-feira, 29, participou do programa Encontro, da Rede Globo, para contar o que realmente aconteceu durante a viagem. “A Manuela estava com fome e na lanchonete deu para notar as pessoas olhando esquisito pra gente. Até aí, tudo bem, estou acostumada. Parece que nunca viram uma mãe negra com uma filha branca“, comentou Jamille.

Quando foi ao banheiro trocar a fralda da pequena, uma mulher de aproximadamente 30 anos apareceu e ficou brincando com a criança. A mãe acreditou que aquela era uma interação normal, mas foi surpreendida negativamente: “Achei mesmo que era brincadeira, até que ela começou a gritar dizendo que eu estava roubando a filha dela. Fiquei apavorada, sem reação. Meu primeiro impulso foi pegar a Manuela e sair de perto, mas aí começaram a me acusar e de repente eu que era criminosa, eu que estava sequestrando a minha própria filha. Quase cai quando ela puxou uma certidão [de nascimento] falsa e disse que podia provar que era mãe“.

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Desesperada com a situação, Jamille começou a chorar e solicitar ajuda, mas as pessoas não atendiam ao seu pedido. Muito pelo contrário: até ameaçaram bater nela. A situação deplorável só acabou quando ela tirou os documentos da filha da bolsa e mostrou fotos da família publicadas nas redes sociais. “Um absurdo. Um descaso. Puro preconceito“, reforçou a estudante universitária.

Em entrevista à Fátima Bernardes, a mãe explicou que, durante a confusão, uma funcionária do estabelecimento pegou a criança no colo e entregou para a outra pessoa sem nem questionar se a pequena era realmente a sua filha. “Eu perguntei por que eu não era a mãe dela e ela falou: ‘Porque a Manuela é branca’. Eu tive a iniciativa de pegar a identidade, o CPF e mostrar”, disse, abalada.

A universitária ainda explicou que, infelizmente, essa não foi a primeira vez que sofreu ataques racistas. Ela afirmou que em uma ocasião chegaram a perguntar como ela aceitava criar a filha do seu marido com a outra mulher, dando a entender que ela não poderia ser mãe da criança porque é negra. Jamille ainda ressaltou que muitas postagens falsas nas redes sociais estão sendo feitas em seu nome e que também recebeu ataques na internet. “Ontem eu li um comentário assim: ‘Será que ela é realmente a mãe?’“, contou indignada.

 

 

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