Um assunto bastante delicado para algumas mulheres que estão grávidas ou planejam encomendar um herdeiro é a profunda mudança pela qual o corpo passa quando se está gerando uma criança. Os ponteiros da balança sobem, a barriga cresce e os seios aumentam – sem contar as alterações no campo emocional e as muitas variações hormonais. Não é difícil ouvir algumas gestantes dizerem que estão se sentindo enormes, inchadas “como um balão”. Mas a questão é preocupante porque um número cada vez maior de futuras mamães passa a se preocupar excessivamente com o peso e fazer de tudo para manter a silhueta magérrima durante a gestação.
A síndrome “mommyrexia”, o que quer dizer algo como “anorexia da mamãe”, tem se espalhado em parte com base na pressão que as mulheres sofrem para se manter magras durante toda a vida. O exemplo de celebridades que voltaram à forma pouquíssimas semanas depois de dar à luz, coloca expectativas irreais na cabeça das novas mães, que se pressionam a seguir esses exemplos. Problemas no relacionamento com o marido também podem contribuir para o quadro.
“As mulheres comuns, com rotinas que envolvem trabalho, cuidados com o bebê, com a casa e outros afazeres, e que conseguiram manter um ganho de peso considerado normal durante a gestação, se sentem inferiores porque dificilmente conseguem voltar ao peso de antes da gravidez em tão pouco tempo quanto as celebridades. A busca pela boa forma em uma época tão delicada é extremamente perigosa para a saúde da mãe e do bebê”, alerta a ginecologista e obstetra Viviane Monteiro, acrescentando que esse tipo de preocupação afeta as gestantes de todas as classes.
Viviane conta ainda que, para não adquirir mais quilos, muitas mulheres restringem o consumo alimentar no final da gravidez, justamente quando o bebê precisa de nutrientes para manter o ganho de peso normal. As consequências de uma dieta de poucas calorias para a criança são bastante graves. Além do risco de mortalidade após o nascimento aumentar exponencialmente, aborto, má formação fetal, diabetes gestacional, hipertensão, depressão e complicações no parto podem ocorrer se a desnutrição for extrema.
De acordo com a especialista, a mulher precisa ter consciência de que o ganho de peso durante a gestação não só é necessário, como inevitável. A quantidade de quilos a mais vai depender do tipo físico de cada uma, pois o organismo necessita fazer vários ajustes para dar suporte ao ser humano que vai abrigar pelos próximos meses. Placenta, bebê e líquido amniótico ajudam a empurrar os ponteiros da balança para cima e aumentar o susto ao se pesar.
A nutricionista paulista Elaine de Pádua é especializada no atendimento de gestantes e recebe diariamente em seu consultório pacientes que, cerca de 40 dias após dar à luz já estão angustiadas por não terem retornado ao peso de antes da gestação, embora, segundo a especialista, o corpo não chegue a desinchar por completo antes de dois meses.
“Cada vez mais parece que existe uma exigência pela magreza por parte das gestantes após o parto, o que faz com que muitas pacientes que nunca tiveram histórico de transtornos alimentares passem a viver uma espécie de obsessão”, explica Elaine. Ela afirma ainda que a melhor forma de a grávida aproveitar a gestação e garantir sua saúde e do bebê após o parto é ficar atenta aos nutrientes e não às calorias.
“Alguns cuidados são importantes para se assegurar um adequado estado nutricional materno durante a gestação. Uma alimentação diversificada, rica em frutas e verduras, é a melhor escolha. O consumo diário de calorias pode aumentar um pouco conforme a gravidez avança, mas nada de fast food. As refeições precisam ser pensadas e equilibradas, para que se nutra o corpo e não apenas se ingira calorias. Isso se reflete na saúde da mãe e é muito importante para a correta formação do feto”, explica a especialista.
Além disso, Elaine afirma que uma das melhores formas de perder peso após o parto é a amamentação, já que o metabolismo da mulher fica mais acelerado nessa fase para produzir um leite forte e bastante calórico para o bebê. “Além de fortalecer os laços com o recém-nascido de uma forma única, a amamentação ajuda a mulher a ficar em contato e apreciar o próprio corpo. Como complemento, a produção de leite materno é tão intensa, que ela chega a gastar por dia cerca de 400 calorias a mais do que o normal, o equivalente a meia hora de corrida na esteira. Por isso, o apetite acaba ficando mais aguçado, mas se a mamãe cuidar da alimentação e dos nutrientes que ingere diariamente, é possível voltar ao peso normal com facilidade e prazer, já que o momento com o bebê é muito benéfico para os dois”, conclui.
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