Esses dias estava relendo alguns trechos de livros que falam sobre educação de bebês. E dei de cara com um capítulo sobre gêmeos. O texto foi escrito por uma médica, mãe de trigêmeos. Logo no início do texto, ela profere a seguinte frase: “Não ache que você vai conseguir cuidar de gêmeos sozinha. Isso é impossível”. Lembro que, na primeira vez que li essa frase (grávida), achei um tremendo exagero. Mas, quer saber, ela tem toda a razão. E percebi isso logo que os bebês nasceram. O mais difícil mesmo é de madrugada. É, literalmente, impossível dormir. E daí você entra em um ciclo vicioso de cansaço. Por conta disso, se tem uma coisa bacana que a maternidade em dose dupla me ensinou foi aprender a pedir ajuda. Eu não tinha como arcar com as despesas e ter uma babá por 24 horas. Então, precisei contar – e muito – com a ajuda da minha mãe, da minha sogra, dos amigos. E, essencialmente, do meu marido. Lembro que nos dois primeiros meses, ele saia para trabalhar feito um zumbi. Isso porque passava a madrugada levantando para me ajudar nas mamadas. Hoje, as coisas estão mais tranqüilas. Aliás, é impressionante como aos cinco meses os bebês parecem dar um salto quântico. Eles ficam mais engraçados e, principalmente, mais interativos. Querem pegar tudo e colocar na boca. Esses dias, o Lucas pegou uma revista que estava ao seu lado. Quando percebi, a revista estava completamente amassada e haviam páginas arrancadas. Clara já percebe as brincadeiras. Quando me aproximo para fazer cócegas na barriga ou no pescoço dela, ela já vira a cabeça e dá risada. É claro que o dia a dia continua a ser corrido, mas é um tantinho mais tranqüilo se comparado as primeiras semanas de vida dos dois. Ainda sinto falta de ter tempo pra mim, de poder sentar meia hora para ler um livro ou simplesmente não fazer nada. E até nisso a gente aprende, né? Aprende como o tempo é precioso: tempo para eles, tempo para a gente, para o marido, tempo para vocês dois. Não tenho babá. Durante a semana, enquanto trabalho, eles ficam no berçário e, em casa, sou eu quem dá conta do recado. Mas, agora, tudo é feito com mais segurança. E eu quero aproveitar as horas que tenho com eles de um jeito especial, com mais atenção, mais paciência e brincadeiras (de novo, olha o valor do tempo aí). E, até hoje, ainda me assusto quando olho pros meus bebês e me dou conta de que eles são meus filhos. Passei tanto tempo me convencendo que eu não poderia ter filhos que, até agora, ainda me admiro com a presença deles na minha vida. Todos os dias, ao olhar pra eles é como um novo florescer. Uma surpresa a cada dia, um dia de cada vez. Beijos, Ana.
PS1: Escrevi este post depois de ler o comentário da Cibele, que tem gêmeos de quatro meses. Cibele tem pouca ajuda para cuidar dos bebês e conta que este está sendo um período difícil. O que tenho a dizer? Cibele, eu sei o quão difícil é. Mas vou repetir o que ouvi de uma amiga: tudo passa e, com o andar dos meses, tudo fica cada vez melhor. E fica mesmo. A gente se torna mais segura e, com isso, vai se tornando uma mãe mais completa – e sábia – a cada dia. A gente aprende até a administrar a situação quando os dois choram ao mesmo tempo. É tudo uma questão de tempo. E se a coisa apertar, peça ajuda!
PS2: A partir de hoje, pretendo responder aos comentários de vocês, sempre que o tempo me permitir. Eu leio todos…



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8 / July / 2009 às 6:03
estou com 20 semanas de gemeos e muito preocupada,pois vou ter ajuda da minha mae so no primeiro mes…e meu marido viaja muito,quase q nao posso contar com ele…durante o dia sera menos dificil,mas a a noite???o q sera de mim????????
8 / July / 2009 às 6:22
Holandinha,
Achei teu blog bárbaro. A tua experiência (agonia x êxtase) colocada de uma forma tão pessoal realmente encanta. A Roberta tinha me comentado algo a teu respeito mas pensei que estivesses na revista Meu Bebê. A Lúcia Helena foi quem me comentou sobre o site. Boa sorte na tua jornada e continua respirando fundo… Saúde,
Ana Maria
8 / July / 2009 às 6:30
Oi Ana!
Ainda não sou mãe, mas acompanho seu blog desde o início. Tenho que dizer que um trecho deste post é o mais emocionante que li aqui:
“E, até hoje, ainda me assusto quando olho pros meus bebês e me dou conta de que eles são meus filhos. Passei tanto tempo me convencendo que eu não poderia ter filhos que, até agora, ainda me admiro com a presença deles na minha vida. Todos os dias, ao olhar pra eles é como um novo florescer. Uma surpresa a cada dia, um dia de cada vez”.
Fiquei ainda mais empolgada com a idéia de “encomendar” meu herdeiro! heheehh!
beijos!
Tudo de bom pra vocês!
Maura
(ttp://coisasdamaura.blogspot.com)
8 / July / 2009 às 7:13
Olá Ana!
Consegui um tempinho pra ler os seus posts… as minhas gêmeas nasceram há 1 mês e meio e tem sido realmente muito difícil arranjar um tempo pra fazer alguma coisa além de cuidá-las… fazer tudo sozinha é impossível, por isso conto também com a ajuda de minha mãe, sogra, tiazinha da limpeza e o marido, durante a noite… estou realmente passando por tudo que vc descreveu anteriormente… o cansaço, os medos, a angústia de ouvir um choro e não saber o que elas querem… tudo isso!!!
Aliás, Ana, vc poderia comentar qual era o ciclo das mamadas que vc fazia pros seus filhotes nesta época (1m e meio)? Tenho mantido as 3 horas atualmente, mas dá uma dózinha de acordá-las para amamentar… principalmente qdo elas choraram de cólica umas 2 horas antes…. ai, me ajuda!
Bjks.
8 / July / 2009 às 8:22
Ana,
Seu blog é incrível! Sou mãe de gêmeas e ao ler seus posts me identifico completamente contigo! As minhas meninas estão com 8 meses e meio e também achei que não seria necessário ter ajudantes! Quando me diziam enquanto estava grávida que eu teria um trabalhão, eu não acreditava no exagero. Hoje vejo que cuidar de gêmeos não é trabalho em dobro, mas em triplo (ou será quádruplo?)!!! É muito trabalho SIM! Eu sempre fui muito independente e confesso que ter que pedir ajuda foi um tanto difícil para mim… A maternidade vem me ensinando muitas coisas, uma delas é que dependemos uns dos outros nesse mundo… Em algumas situações mais, em outras menos… Ajudar e ser ajudado faz parte da vida…
Um grande beijo para você, Lucas e Clara