Mastite na amamentação: saiba identificá-la e amenizar a dor

A inflamação mamária atinge cerca de 10% das mães nos três primeiros meses de vida do bebê

Existem alguns aspectos da maternidade que normalmente não são falados pelas mães mais experientes (Será que esqueceram, diante de tantas coisas lindas que os bebês fazem? Será que não querem assustar as outras mães de primeira viagem?). Um deles é a mastite na amamentação, que atinge cerca de 10% das mães nos três primeiros meses de vida do bebê.

A mastite é uma inflamação da mama acompanhada ou não de infecção – ou seja, nem sempre haverá bactérias nas glândulas mamárias. Durante a amamentação, ela pode ser causada por leite represado nos ductos mamários ou por lesões no mamilo.

 

Como saber se é mastite?

É impossível ignorar os sintomas da mastite na amamentação: um dos seios duro, vermelho e dolorido em pelo menos um quadrante (é raro ter mastite nas duas mamas ao mesmo tempo), febre, mal-estar e calafrios.

“Os primeiros sinais podem aparecer como um resfriado, pela dor no corpo e a temperatura alta”, afirma Fabiola Costa, fonoaudióloga e consultora em aleitamento materno, responsável pela UTI neonatal da Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha. Observar o todo é, portanto, muito importante, segundo ela: “O cuidado precoce, bem direcionado, evita até a necessidade de medicamentos”.

 

Alívio para a dor e tratamentos

Se a mastite for detectada bem no início, a dor pode ser controlada em casa, com o manejo da mama afetada. “A primeira providência é esvaziar a mama com ordenha manual ou com bomba”, orienta Bianca Balassiano, psicóloga perinatal e consultora em amamentação pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners).

Mães que não se sintam seguras para fazer isso por conta própria podem procurar um banco de leite, uma consultora ou ajuda médica para direcionar os cuidados. “Em muitos casos, o médico receita um analgésico e um anti-inflamatório”, diz Bianca.

Tudo correrá bem se for um caso de mastite não bacteriana. Mas, caso a febre não cesse em 24 horas, é imprescindível passar por uma avaliação de uma médica mastologista, por mais segura que a mãe esteja do esvaziamento da mama. Isso indica que a mastite é bacteriana, o que torna o antibiótico necessário para a cura.

 

A amamentação acelera a cura

Apesar da dor, o recomendado é manter a amamentação durante todo o processo de diagnóstico e tratamento da mastite. Segundo Bianca, “o bebê é melhor do que qualquer artifício para drenar a mama corretamente e garantir que a mama realmente fique vazia, o que acelera a cura”.

O fato de a inflamação levar um pouco de pus ao leite e alterar um pouco o seu sabor não deve ser motivo de preocupação ou medo. “Não há problema em o bebê mamar um pouco de pus. Porém, se a mãe não se sentir bem com isso, pode drenar o começo do leite e depois oferecer a mama”, ensina a psicóloga e consultora.

(Thinkstock/Getty Images)

E o que causa tudo isso?

O leite parado por muito tempo nos seios entre as mamadas, situação tecnicamente chamado de “estase láctea”, é o principal motivo da mastite sem infecção. “Esse leite faz com que ocorra um aumento da pressão interna no ducto mamário, e daí surge o famoso ‘empedramento’ do leite. Em seguida vêm a obstrução e a inflamação deste ducto”, explica Bianca.

Já nos casos de mastite bacteriana, o fator de risco é ter lesões no mamilo, como as não raras rachaduras nos bicos dos seios do começo da amamentação. Ana Paula Affonso Gomes, médica mastologista voluntária do Imama (Instituto da Mama do Rio Grande do Sul), ONG associada à Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), esclarece: “A mulher que amamenta está mais sujeita [à inflamação e infecção], pois expõe mais a mama a microlesões causadas pelo atrito da boquinha do bebê na mamada, por arranhões causados pela unha do bebê ou pelo uso constante de máquinas de sucção de leite”.

 

 

Dá para evitar

A partir do momento em que suas causas são conhecidas, a mastite é facilmente evitável.

Em primeiro lugar, é importante não deixar intervalos muito grandes entre as mamadas, para impedir que o leite fique parado. “O ideal é amamentar em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê quiser”, sugere Bianca. “Mulheres que optam por mamadas com horário fixo, normalmente a cada três ou quatro horas, têm muito mais chances de ter mastite”.

Também é preciso certificar-se de que as mamas sejam totalmente esvaziadas ao final de cada mamada. “Costumo orientar para as mães a palpação permanente, inspecionando sempre a mama. Nós, mulheres, não temos esse hábito, mas na amamentação ela deve ser uma rotina”, defende Fabiola. Ao perceber que ainda há leite, deve-se retirá-lo com ordenha manual ou bomba.

Por fim, a pega correta evita a mastite bacteriana – já que é a falha dela que causa as rachaduras nos mamilos. O bebê deve ficar com a boca bem aberta e os lábios virados para fora (que nem uma boquinha de peixe), abocanhando toda a aréola (e não apenas o mamilo). O queixo encosta no seio, mas o nariz não.

Se tiver dúvidas, não hesite em procurar um banco de leite, onde o atendimento é gratuito, ou uma consultora em amamentação. A pega correta garante o sucesso da amamentação exclusiva até os seis meses de vida do bebê, conforme a orientação da Organização Mundial da Saúde.

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