Mãe é solicitada a interromper a amamentação da filha na UTI

"A resposta da enfermeira foi que não era possível, pois era norma do hospital que não houvesse mães amamentando na presença dos pais", comentou Yara.

Na última quarta-feira, 1, a mãe Yara Villão publicou um desabafo em sua perfil pessoal do Facebook. Ela contou que foi orientada a parar de amamentar a filha que estava internada na UTI da Maternidade Santa Joana, em São Paulo, no horário de visita dedicado aos pais.

“Argumento com a enfermeira que se se trata de uma recém-nascida, que demorou para conseguir ajustar a pega e que eu a cobriria com um lençol. ‘Não é permitido, protocolo do hospital. Precisamos contemplar pessoas de todas as crenças e culturas’. Claro, contemplem a todos, exceto os bebês que estão em recuperação e as mães que querem amamentar”, escreveu na rede social.

A postagem foi compartilhada mais de 2 mil vezes, alcançou quase 3 mil curtidas e recebeu mais de 400 comentários – a maioria de pessoas que mostraram indignação com o que foi relatado por Yara. Diante de tamanha repercussão, ela resolveu se pronunciar novamente. No último domingo, 5, a mãe postou outro texto contando os detalhes do caso: “Quando cheguei na UTI às 6h da manhã do dia 20/02 fui informada que o horário para as mães ocorreria de 3 em 3 horas para a amamentação (6h, 9h, 12h, 15h, 18h, 21h, 00h, 3h), e que os pais teriam três horários de visita que durariam 30 minutos cada. Esses horários são: 10:30, 15:30 e 20:30. Observem que o horário das 15:30 é no meio do horário das mães e é também um dos horários em que as pediatras conversam com os pais”.

Ela explicou que, por se tratar de uma criança recém-nascida e por ser mãe de primeira viagem, ela e a filha demoravam cerca de meia hora para acertar a mamada. “No segundo dia de internação, no horário das 15h passamos pelo mesmo processo. Quando enfim ela engatou a mamar, fui solicitada a interromper para que os pais pudessem entrar. Expliquei o que estava acontecendo e disse que podia cobri-la, mas a resposta da enfermeira foi que não era possível pois era norma do hospital que não houvessem mães amamentando na presença dos pais”, afirmou no Facebook.

A mãe declarou que não recebeu acolhimento da pediatra quando contou o que tinha acontecido. Segundo Yara, a médica teria respondido que o hospital atende várias pessoas: “Muçulmanos, judeus, cristãos ortodoxos (estou usando as palavras dela), e eles não encaram amamentação como vocês, é para contemplar a todos que existe essa regra”. Diante disso, Yara ressaltou que a norma não incluía aqueles que deveriam: os bebês e as mães.

“Sua resposta foi que aquilo era pra proteger as mães, que poderiam ficar constrangidas caso fossem olhadas por alguém e que toda regra era baseada em reclamações já recebidas pelo hospital. Ela disse, ainda, que podia me garantir que minha bebê não estava passando fome, pois a alimentação era complementada com mamadeira (fato que também descordei, mas não era possível optar, a mamadeira também é uma regra na UTI do Santa Joana)”, comentou.

Yara também questionou a médica se poderia fazer o método canguru, mas recebeu uma negativa com a justificativa de que no hospital a técnica só é aplicada com bebês de até 1,8 Kg – o que não era o caso da sua pequena. “Eu disse ainda que desejava ficar ao lado dela por mais tempo, sem tirá-la da incubadora para não interromper o tratamento; sua resposta foi que eu só poderia permanecer na sala nos horários pré-determinados pelo hospital. Vir a saber depois que existe uma lei que garante acompanhamento permanente para menores de idade”, escreveu.

Na postagem, a mãe também deixou claro que o seu desabafo não era relacionado a um profissional específico. “Todas as auxiliares que ficavam na sala com a gente sempre nos receberam e nos trataram bem. Minha queixa é com a conduta e normas do hospital que ferem mães e crianças em fase de aleitamento”, finalizou.

O outro lado

Entramos em contato com a assessoria do Hospital Santa Joana e recebemos uma nota oficial de esclarecimento sobre o caso:

“O Hospital e Maternidade Santa Joana informa que a situação não condiz com a conduta orientada pela Instituição e, visando a melhora constante, os processos internos foram reforçados junto a toda a equipe da UTI Neonatal. A maternidade reitera ainda que estimula o aleitamento materno, sendo que todos os casos são avaliados individualmente considerando que cada bebê pode apresentar necessidades diferenciadas, de acordo com seu estado de saúde dentro do ambiente da UTI Neonatal”.

Confira na íntegra os posts feitos por Yara Villão:

 

 

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